Caindo em Silêncio
Deitando-se num sopro, formando um tapete de folhas, caem em repouso… Um frescor de leveza no ar… Retiro do outono…

Outra vez outono e
de novo outro tom.
Em queda livre…
adentro a minha ostra
mais uma – inédita – vez.
Deitando-se num sopro, formando um tapete de folhas, caem em repouso… Um frescor de leveza no ar… Retiro do outono…

Outra vez outono e
de novo outro tom.
Em queda livre…
adentro a minha ostra
mais uma – inédita – vez.

Na escuridão,
Das noites em claro,
O dia é sem fim.
Está claro, é o fim.
Sonho no escuro,
Desperto na luz.
Que seja paz em princípio… E amor o caminho…

A simplicidade é óbvia. A obviedade é complexa.
O caminho é imprevisível, a cada surpresa refazemos o caminho.
“O caminho está no cotidiano”. Dia a dia caminho…

Tonzan foi à presença de Yun-men. Este perguntou-lhe de onde Tozan estava chegando. Tozan disse:
“Da aldeia Sato.”
Yun-men quis saber: “Em qual templo vós passastes o verão?”
“No templo de Hoji, ao sul do lago”, disse Tozan de forma casual.
“Quando partistes de lá?” quis saber Yun-men.
“Em 25 de Agosto”, respondeu Tozan. Yun-men então lhe afirmou:
“Eu deveria vos dar três golpes de bastão, mas hoje eu vos perdôo.”
No dia seguinte Tozan foi até Yun-men, fez uma reverência e perguntou, confuso:
“Ontem vós me perdoastes os três golpes. Entretanto eu não compreendo nem mesmo qual foi a falta que cometi para poder merecer sofrer os golpes que vós me perdoastes!”
Yun-men então repreendeu Tozan desta forma:
“Vós sois inútil. Suas respostas ontem foram sem espírito. Vós simplesmente vagueais de um mosteiro para o outro!”
Ao ouvir as palavras de Yun-men, Tozan obteve o Satori.
Foto: Mosteiro Zen Morro da Vargem

O livre colibri…
Com sua rara e elevada energia…
Inspira-nos a viver a nossa jornada de vida…
Com a mais pura alegria, com paixão e compaixão.
Viva com o que dá vida! Vivendo como ele é, consigo!
Shi-yan, quando desejava falar com seu mestre, sempre dizia para si mesmo: “Mestre!”
E respondia para si mesmo: “Sim?”
Então ele mesmo continuava: “Fique Atento!”
E ele respondia: “Sim, mestre!”
“E além disso,” ele completava, “não se deixe iludir pelos outros!”
“Sim, sim, meu Mestre!” ele afirmava para si.
A cada noite, todo dia… Renascendo, retornando ao centro…

Aceitar ela
Confiar nela
Entregar-se a ela:
A jornada da alma
Ao longo da vida.
Circulando o labirinto… Ouvindo o inaudível… Vendo o invisível… Desvelando a luz do caminho… Desvelando-se luz no caminho…

Um dia, um discípulo foi ao mestre Kian-fang e perguntou-lhe:
“Todas as direções levam ao caminho de Buddha, mas apenas uma conduz ao Nirvana. Por favor, mestre, diga-me onde começa este Caminho?”
O velho mestre fez um risco no chão com seu bastão e disse: “Aqui”.

Haicai eleva
Adentro ao não-local
Em casa estás

Olhando para dentro
Ouvindo o silêncio
Viajando ao centro
Percorrendo o labirinto
Consciencial…