A lagarta sabe que vai virar borboleta?

por a n➐w ame n t e

“A lagarta devora jardins, árvores, comendo folhas. A lagarta é como um tubo digestivo com uma boca e nada mais. Ela é todo estômago: come, evacua e pronto!

A lagarta come durante algumas semanas, de repente, ela passa a não comer mais, suspende toda a alimentação, fica num estado de silêncio, como se estivesse doente, como se fosse morrer. Ela faz um jejum no final do período. Depois ela vai para um local sossegado… e logo já não é mais lagarta! Aparece outra coisa que nós chamamos de Crisálida ou Casulo.

Depois de algumas semanas, para nossa surpresa, nem a lagarta e nem a crisálida estão lá. O que é que está lá? Uma linda borboleta!
Que Ser maravilhoso que é uma borboleta! A borboleta não é nada parecida com uma lagarta. Possuí um corpo belo e esbelto, quatro asas maravilhosamente desenhadas, seis perninhas fininhas como uma agulha… a lagarta não tem pernas, tem uns “toquinhos” para se agarrar.

A borboleta possui dois olhos hemisféricos. Cada um desses olhos possui seis mil facetas visuais, num total de doze mil olhos. Ela não pode mover os olhos como nós, mas ela vê de todos os lados ao mesmo tempo.

A borboleta, ao contrário da lagarta, não come quase nada… Ela só bebe uma gotinha de néctar extraída com sua linguinha espiral do fundo do cálice da flor. Ela suga um pouquinho de néctar e sai voando, voando… Livre pelos ares. Ela não come nada, não destrói nada, não faz mal a ninguém.

Podemos nos perguntar: Como que algo tão maravilhoso como uma borboleta, pode sair de algo tão pequeno, tão feio, rastejante, sem asas e comilona como uma lagarta?
O mistério está na crisálida!

O destino da lagarta é virar borboleta, é evoluir. Esta metamorfose é bem dolorosa para a borboleta, não pelo processo em si, uma vez que a lagarta “morre” para si mesma, vivendo enclausurada em seu casulo, mas sim na hora em que o mesmo se abre. O esforço é grande para rasgá-lo, e mais tarde, outro esforço é exigido, quando as asas precisam ser estendidas para que sequem totalmente. Transforma-se então, é se esforçar. Metaforicamente, é morrer para aquilo que já não serve mais e partir para um novo patamar.

Haverá perda, mas em contra-partida, ganhos surgirão. É inevitável, é o curso da vida. O rio flui. A vida de uma lagarta não tem muita graça, pois, pesada, só rasteja, comendo folhas. Jaz ali, tão limitada…

Depois da metamorfose, ela não mais existe naquela forma. Em seu lugar, surge a leve e colorida borboleta, que não conhece limitações. Voa rápido por entre as flores em um jardim, ávida pelo néctar, energizada pelos raios de sol. Irradia vida!

Evoluir como pessoa requer coragem, mas não me refiro a de transformar-se, porque isso é totalmente natural, afinal vivemos abrindo e fechando ciclos em nossa vida. Falo da coragem de olhar para dentro de si e reconhecer: “Sou lagarta.”

A partir daí, o casulo já não é visto como uma prisão ou um túmulo, mas como um portal, que dá passagem para um mundo novo, visto de cima.

Nunca mais as coisas serão as mesmas.
Uma vez borboleta, lagarta nunca mais.”

Trecho adaptado do texto “Poesia da Auto-Realização – Da Lagarta à Borboleta” por Huberto Rhöden.

 

Anúncios