Conto Zen: Não pense Bem, Não pense Mal

por a n➐w ame n t e

Quando atingiu a iluminação completa o sexto Patriarca (Hui-Neng) recebeu do quinto Patriarca (Hung-Jen) o manto e a tigela, simbólicos da sucessão de grandes mestres a partir de Gautama Buddha, geração após geração.

O monge-chefe do templo chamado Jin-shu, cheio de rancor, perseguiu Hui-neng com a intenção de retirar-lhe estes tesouros. O Sexto Patriarca colocou o manto e a tigela sobre uma pedra ao lado da estrada e disse a Jin-shu:

“Estes objetos apenas simbolizam uma crença. Não há motivos para se brigar por eles. Se desejais possuí-los, tome-os agora.”

Quando Jin-shu tentou erguer os objetos eles pareceram-lhe tão pesados como uma montanha. Ele não pode tomá-los. Tremendo de vergonha ele disse:

“Eu vim em busca de esclarecimento, e não de tesouros materiais. Por favor, ensinai-me.”

O Sexto Patriarca disse:

“Quando vós não pensais no “Bem” e quando vós não pensais no “Mal”, em qual momento está vossa verdadeira natureza?”

Ao ouvir tais palavras Jin-shu atingiu o Satori. Suor escorreu de todo seu corpo. Ele gritou e fez uma reverência, dizendo:

“Vós me destes as secretas palavras e os secretos significados. Há ainda alguma parte mais profunda de vosso ensinamento?”

Hui-neng disse:

“O que vos disse não é um segredo, em verdade. Quando compreendes vosso verdadeiro Eu o segredo já então lhe pertence.”

Jin-shu disse: “Estive sob a orientação do quinto patriarca por muitos anos mas não pude compreender meu verdadeiro Eu até agora. Através de vosso ensinamento eu atingi a fonte. Uma pessoa bebe água e sabe por si mesma se esta é fria ou quente. Posso lhe considerar meu mestre?”

Hui-neng replicou: “Estudamos ambos sob o mesmo quinto patriarca.

Continue chamando-o seu mestre, mas apenas guarde em si o que vós mesmos realizastes.”

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