Sobre o Arquétipo de Judas

por EM SI: LUGAR DE GRAÇA

Trata-se do lado obscuro da psiquê, sobre os estados de consciência mórbidos, próximos ao suicídio.

Judas renegou seu Mestre, traiu seu mestre. E se fechou nas consequências negativas de sua atitude. Se fechou em seu carma (ação-reação). Manteve-se em seu desespero.

Da expectativa ao desespero… o decepcionado, ressentido, que sente-se traído antes de trair.

Depositamos muita esperança em algo/alguém… e ao não se corresponder à nossa expectativa vem a grande decepção, o ódio e o rancor.

O que Judas espera de Cristo não é o que Cristo quer dar a ele. E assim desacredita de seu amigo, o vende, o trai, se fecha na culpa e se enforca.

Não se sabe se Judas realmente se enforcou ou se caiu num precipício. Se ele se fechou na culpa, se fechou-se para o perdão ou se no último instante se abriu à luz, renasceu.

Lembremos que Pedro também renegou, mas se permitiu perdoar, perdoou e pôde sair do círculo vicioso. Deixando o amor fluir.

Judas simboliza o traidor em nós, o beijo sem a substância do amor, casca sem grão, é concha vazia, aparências que não são habitadas pela presença. Quando traímos a nós mesmos e ao outro porque nossa expressão não traduz o que realmente somos.

“A sombra é uma luz que não pode se doar.”

Judas é a sombra, o cristo renegado. é um amor que não pode se comunicar. E quando a energia do amor não pode se comunicar, não pode ser doada, ela se volta contra nós.

O ego que se opõe, que se fecha ao Self, ao invés de ser receptivo. Esse arquétipo, é parte de nós que trai o melhor de nós mesmos.

 

Sugestão: A quem interessar, e quiser conhecer mais sobre a “sombra da psique” humana, pelo viés do evangelho, o Livro “Judas e Jesus – Duas faces de uma única revelação, de Jean-Yves Leloup, é bem interessante. Sou suspeito, pois me identifico com o olhar do autor, as suas traduções dos evangelhos apócrifos, são multidisciplinares, sutis e atuais.