“Sobre o Devir”

por EM SI: LUGAR DE GRAÇA

(…) A vida não pode ser avaliada integralmente sob o ponto de vista da moral – pois a vida, enquanto criação e destruição, é a constatação do ser como devir, como pensa a filosofia heracliteana – da existência como múltiplo é compreendida como afirmação. O Um é o múltiplo e o múltiplo é o Um. Nada há além desta constatação – não há como julgar a vida atribuindo-lhe valores morais. A existência é inocente e apreciada – gerada do Uno, afirma a vida, deve estar isenta de valores morais, pois não há ser além do devir, ou melhor, o Ser é o devir. O Ser (Uno) se afirma no múltiplo e continua a sair dele na eternidade do tempo.

“Heráclito olhou profundamente, não viu nenhum castigo do múltiplo, nenhuma expiação do devir, nenhuma culpa da existência. Nada viu de negativo no devir, ao contrário, viu uma dupla afirmação do devir e do ser como devir, em suma, uma justificação do ser.” Deleuze

Fonte: Revista Pandora Brasil. Artigo de Ângela Zamora:  Ideias sobre arte e moral a partir da “Ótica da Vida” em Nietzsche