Um Sol Coração

Onde a vida está? Onde tu és?

“Respiração” – Shunryu Suzuki

“Aquilo que chamamos ‘eu’ não é mais do que uma porta de vaivém, que se move quando inalamos e quando exalamos.”

Tozan, um famoso mestre Zen, disse: A montanha azul é o pai da nuvem branca. A nuvem branca é o filho da montanha azul. O dia todo eles dependem um do outro, sem que um seja dependente do outro. A nuvem branca é sempre a nuvem branca. A montanha azul é sempre a montanha azul”.

Eis uma pura e clara interpretação da vida. Pode haver muitas coisas como a nuvem branca e a montanha azul: homem e mulher, mestre e discípulo. Dependem um do outro. Mas a nuvem branca não deve ser importunada pela montanha azul. A montanha azul não deve ser importunada pela nuvem branca. Elas são totalmente independentes e, não obstante, dependentes. E assim que vivemos e é assim que praticamos zazen.

Quando nos tornamos verdadeiramente nós mesmos, nos tornamos somente uma porta de vaivém: somos inteiramente independentes e, ao mesmo tempo, dependentes de todas as coisas. Sem ar não podemos respirar. Cada um de nós está no centro de miríades de mundos. Estamos no centro do mundo, sempre, momento a momento. Assim, somos completamente dependentes e independentes. Se você tem este tipo de experiência, este modo de existência, você tem absoluta independência; não será importunado por coisa alguma.

Portanto, quando você pratica zazen, sua mente deve estar concentrada na respiração. Este tipo de atividade é a atividade básica do ser universal. Sem esta experiência, sem esta prática, é impossível atingir a plena liberdade.

Trecho do livro:  Mente Zen, Mente de Principiante – Shunryu Suzuki

Silêncio Sonoro

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ato

inato.

a

reza

e

natureza:

silêncio em si.

Em princípio, amor. Enfim, amar.

na busca pela verdade… saímos da real? deixamos a verdade? ou velada em nós, buscamos tão somente desvelar?

a existência é uma curta jornada, da imensa saga (ao que transparece, sem fim)… para se encontrar a nossa pedra filosofal, revelar a quintessência, a essência universal?

trilhando fora do caminho… estamos enganados, nos enganamos…

mentimos, fingimos, contradizemos, desmentimos, até que nos desiludimos…

despertamos… mas é hora desperto, hora sonolento e até tentamos voltar a dormir, devido a grande responsa, mas não dá… não tem volta… é deixar-se fluir…

a existência é jogo de ilusionismos… jogo de espelhos… 

e quem reconhece, quem percebe, aprende a blefar…

vê a real, em verdade… mas não se pode mostrar para aquele que não a vê… apenas apontar… pois é em si que o mistério se desvela… 

e a tal verdade que não é um fim… o gran finale, o final feliz… é a conclusão de um ciclo… e abertura para um novo giro… desta infinita espiral…

pois não esgota-se, já é antes de existir… é o caminho… é um estado pleno… o olho do furação, o observador que tudo vê, uma nudez contínua… mesmo fantasiada, vestida…

com a verdade somos o que somos… encarnados ou não…

só precisamos precisaMente estarmos conscientes dela… ser uno com ela… numa dança sincrônica, feito a síntese do paradoxal… 

neste incerto campo aberto… em que vemos limitadaMente com dois olhos e muita imaginação…

podemos no agora de quaisquer presentes… enxergar com aquela visão, na mais pura intuição… a vida como ela é, assim como nós somos… uma energia translúcida e silenciosa em expansão…

buscar é deixar ou sair, encontrar é estar em si… ouça, veja o que é em ti. é absurda a graça… é paradoxal o óbvio… é síntese a complexidade… é universal a tua unicidade…

e n r a í zen

alto

profundo

reto

flex

firme

leve

oco

nu

e-feito

um

bambu

em

bambuzal

.

Meta: MetAMORfose

a mutável borboleta… revela-nos o imutável.

causa e-feito véus… criamos asas que transparecem o azulado céu…

 

Não haverá borboletas, se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses”.