Um Sol Coração

Onde a vida está? Onde tu és?

S I Mesmo

Рaul Villinski

muda

repita

seja

aquele

que já é

outra vez.

Conto Zen:  Kantaka e o fio de Aranha

Assim eu ouvi:

O Buddha, um dia, passeava no Céu Trayastrimsa, as margens do lago da Flor de Lótus. Nas profundezas do lago, lobrigava o Naraka (um tipo de região de demérito Cármico, na tradição do Buddhismo Mahayana). Nessa ocasião, viu ali um homem chamado Kantaka que morto dias antes, se debatia e padecia nas profundezas. Transbordando de compaixão, o Buddha Shakyamuni queria socorrer todos os que, embora se achassem mergulhados no Naraka, tivessem praticado uma boa ação na vida.

Kantaka fora ladrão e levara uma existência devassa. Por isso mesmo estava no Naraka. Certa vez, no entanto, agira com generosidade: um dia, enquanto passeavam, avistara uma inofensiva aranha e tivera vontade de esmagá-la; reprimira-se, contudo, pensando, subitamente, que talvez pudesse favorecê-la; deixara-a com vida e seguiu o seu caminho.

O Buddha Shakyamuni viu nessa ação generosa um bom espírito, e sentiu-se inclinado a ajudá-lo. Por isso fez descer as profundezas do lago um comprido fio de teia de aranha, que chegou ao Naraka no lugar onde estava Kantaka.

Kantaka olhou para a novidade e concluiu que se tratava de uma corda de prata muito forte. Mas, não querendo acreditar nisso, disse consigo que devia ser, sem dúvida, um fio de teia de aranha pendurado, muito fino, e que seria provavelmente dificílimo trepar por ele; mesmo assim, arriscaria tudo, pois desejava ardentemente sair daquele Naraka.

Agarrou, portanto o fio, embora não deixasse de pensar nos perigos da escalada, pois a linha poderia rebentar de um momento para outro; mas foi subindo… subindo… auxiliando-se com os pés e as mãos, e envidando grandes esforços para não escorregar.

A escalada era longa. Chegado a metade do caminho, quis olhar para baixo e contemplar os Narakas, que já tinham ficado, decerto, muito longe.

Acima dele, via a luz e só ambicionava alcançá-la.

Inclinando-se para baixo, a fim de olhar pela derradeira vez, viu uma multidão de pessoas que também subiam pelo fio, numa sucessão ininterrupta, desde as grandes profundezas do Naraka. Kantaka foi tomado de pânico: a corda poderia, quando muito, aguentá-lo; mas com o peso daquelas centenas de pessoas agarradas a ela acabaria cedendo, e todos, com ele, voltariam ao Naraka!

Que azar! Que droga! Aquela gente lá embaixo não tinha nada que sair do Naraka. Por que precisa seguir-me? – praguejava ele, increpando os seguidores.

Nesse preciso momento, o fio cedeu, exatamente a altura das mãos de Kantaka, e todos remergulharam nas profundezas tenebrosas do lago.

Naquele mesmo instante, o sol do meio-dia resplandecia sobre o lago em cujas margens tranquilas passeava o Buddha…

Conto Zen: Nada existe

Yamaoka Tesshu, quando era um jovem estudante de Zen, visitou um mestre após outro. Ele foi até Dokuon de Shokoku.

Desejando exibir sua realização, ele disse: “A mente, o Buda e os seres se cientes, no final das contas, não existem. A verdadeira natureza dos fenômenos é a vacuidade. Não há realização, não há ilusão, não há sábio, não há mediocridade. Não há o dar, nem nada para ser recebido.”

Dokuon, que estava fumando em silêncio, não disse nada. De repente, ele bateu em Yamaoka com seu cachimbo de bambu. Isto deixou o jovem bastante furioso.

“Se nada existe”, perguntou Dokuon, “de onde vem esta raiva?”

Mestra chAve Mestra

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se houver algum mestre

está em si.

se não houver nenhum mestre

tu és em si.

 

Todo ser, som, silêncio, imagem, paisagem que inspira-nos o sagrado… Simplesmente espelha, reflete aquele que já é em nós, em si… O laço que faz a vida circular… Desfazendo em ti as amarras e vendas…

 

* Foto: Eu e minha filha de Graça com a Graça… Estátua de barro. Estado de jarro.

Aduba o Buda

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Imagem de pedra.

Imago de luz.

Impermanente realidade.

Permanente verdade.

“No budismo, cada ser é discípulo de si mesmo e responsável por sua própria salvação.” Marília Balbi

 

* Foto: “Autorretrato” em 07/07/18.