Sobre o Julgamento – OSHO

por aN8Wa

Por que fazemos o mal? - Transformando a sombra personalidade

“Um dos exercĂ­cios mais praticados pela humanidade Ă© o julgamento.

Julgamos o outro, baseados em nosso código de valores, nossas percepçÔes e naquilo que nossa imaginação cria a respeito de cada pessoa com a qual convivemos.

Ocorre que nem sempre esta avaliação se mostra correta e, por essa razão, ao julgar corremos o risco de cometer equívocos e praticar injustiças.

O pior que pode acontecer quando julgamos alguĂ©m Ă©, sem dĂșvida, nĂŁo levar em conta os sentimentos daquele que estamos criticando.

Por mais que não concordemos com as atitudes de uma pessoa, não podemos nos esquecer de que elas são motivadas, de um modo geral, pelas suas emoçÔes e que agindo de modo rígido e inflexível também estamos nos deixando levar por nosso lado emocional.

Saber reconhecer quando estamos sendo influenciados por nossos conflitos internos no momento em que avaliamos as açÔes alheias, é o primeiro passo para que possamos abandonar a postura de juízes implacåveis e nos colocar no lugar de quem estamos julgando.

O sistema judiciĂĄrio se baseia em leis prĂ©-concebidas com o objetivo de garantir a convivĂȘncia civilizada entre os seres humanos. Mas, fora desta esfera, nas atitudes cotidianas, nos arvoramos muitas vezes no papel de juĂ­zes implacĂĄveis daqueles que nĂŁo se enquadram em nossos hĂĄbitos e costumes.

Humildade, sabedoria e a capacidade de aceitar as diferenças de modo tolerante, constituem os melhores instrumentos para que escapemos da armadilha do julgamento.
Quando vocĂȘ diz que vocĂȘ se julga, isso Ă© algo tomado emprestado. As pessoas julgaram-no, e vocĂȘ deve ter aceitado as idĂ©ias delas sem nenhuma investigação. VocĂȘ estĂĄ sofrendo de todas as espĂ©cies de julgamento das pessoas, e vocĂȘ estĂĄ jogando esses julgamentos nas outras pessoas. E todo esse jogo desenvolveu-se alĂ©m da proporção – a humanidade inteira estĂĄ sofrendo disso.

Se vocĂȘ quiser livra-se disso, a primeira coisa Ă© esta: nĂŁo se julgue. Aceite humildemente sua imperfeição, seus fracassos, seus erros, suas faltas. NĂŁo hĂĄ nenhuma necessidade de fingir outra coisa. Seja vocĂȘ mesmo: “É assim mesmo que eu sou, cheio de medo. Eu nĂŁo posso andar na noite escura, nĂŁo posso ir lĂĄ na densa floresta.” O que hĂĄ de errado nisso? – Ă© humano.

Uma vez que vocĂȘ se aceite, vocĂȘ serĂĄ capaz de aceitar os outros, porque vocĂȘ terĂĄ um clara visĂŁo interior de que eles estĂŁo sofrendo da mesma doença. E a sua aceitação deles, os ajudarĂĄ a aceitarem-se.

NĂłs podemos reverter todo o processo: aceite-se. Isso o torna capaz de aceitar os outros. E porque alguĂ©m os aceita, eles aprendem a beleza da aceitação pela primeira vez – quanta tranqĂŒilidade se sente! – e eles começam a aceitar os outros.

Se a humanidade inteira chegar ao ponto onde todo mundo Ă© aceito como Ă©, quase noventa por cento da infelicidade simplesmente desaparecerĂĄ – ela nĂŁo tem fundamentos – e os seus coraçÔes se abrirĂŁo por conta prĂłpria e o seu amor estarĂĄ fluindo.

Neste exato momento, como vocĂȘ pode amar? Quando vocĂȘ vĂȘ tantos erros, tantas fraquezas
 – como vocĂȘ pode amar? VocĂȘ quer alguĂ©m perfeito. NinguĂ©m Ă© perfeito, assim, vocĂȘ tem de aceitar um estado de nĂŁo-amor, ou aceitar que nĂŁo importa se alguĂ©m nĂŁo Ă© perfeito. O amor pode ser compartilhado, compartilhado com todas as espĂ©cies de pessoas. NĂŁo faça exigĂȘncias.

O julgamento Ă© feio – ele fere as pessoas. Por um lado, vocĂȘ vai machucando, ferindo-as; e por outro lado, vocĂȘ quer o amor delas, seu respeito. Isso Ă© impossĂ­vel.

Ame-as, aceite-as e, talvez, seu amor e respeito possa ajudá-las a mudar muitas de suas fraquezas, muitas de suas falhas – porque o amor lhes dará uma nova energia, um novo significado, uma nova força. O amor lhes dará novas raízes para se erguerem contra os ventos fortes, um sol quente, a chuva forte.

Se apenas uma Ășnica pessoa o ama, isso o faz tĂŁo forte, que vocĂȘ nem pode imaginar. Mas, se ninguĂ©m o ama neste vasto mundo, vocĂȘ fica simplesmente isolado; entĂŁo, vocĂȘ pensa que Ă© livre, mas vocĂȘ estĂĄ vivendo numa cela isolada em uma cadeia. É que a cela isolada Ă© invisĂ­vel; vocĂȘ a carrega consigo.

O coração abrirá por si mesmo. Não se preocupe com o coração. Faça o trabalho preparatório”.

Osho em The Transmission of the Lamp.

Fonte: VentosDePaz

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