“Haicai – Um Olhar Zen”

por EM SI: LUGAR DE GRAÇA

“Estrada de bambus
Ano novo chegando
Velho caminho”

“O Zen fez nascer em mim um olhar mais detalhista, às vezes minimalista, praticar o Haicai me mantém em plena atenção, percepção de tudo, de todos, do nada…”

“Brisa úmida
surpresa no fim da trilha.
Tesouro oculto.”

De origem japonesa, o Haiku (também conhecido como hokku, haikai ou Haicai) é uma breve composição poética, que tem raízes nas profundas relações do homem com a natureza. Esta arte obedece a uma forma estrutural de 17 sílabas ou fonemas, distribuídos em 3 versos. O fundamento filosófico do haiku possui bases budistas, conceituando que neste mundo em que estamos tudo é transitório, somos parte da natureza sujeitos e feitos de mudanças contínuas assim como as estações (outono, inverno, primavera, verão).

Ao amigo Monge Genshô

“Procurando a luz,
na madrugada de inverno.
Seguir no caminho.”

Raiz do Haicai – Nascido no séc. XVII, como (松尾金作) Matsuo Kinsaku (1644-1694), mas conhecido popularmente por Matsuo Bashô, possuía ligação intrínseca com o zen-budismo e sua busca pela iluminação. A visão de Bashô nos leva a conhecer o mundo por outro prisma, uma ótica fincada no desapego e na transitoriedade do ser.
Bashô sempre deixava fluir uma pitada de filosofia Zen Budista em suas obras, tornou-se a maior referência da poesia japonesa, sua sensibilidade emergia das profundezas do vazio, brotando forte e vigorosa.
Sua visão de mundo até hoje inspira milhões, o mestre andarilho foi metafórico em suas obras, mas não o suficiente para tirar a leveza do zen, talvez no dia que resolveu descansar em sua cabana, escolheu uma agraciada com a vizinhança de uma bananeira, a lenda fez o nome, e Bashô (Bananeira em japonês), passou a ser seu pseudônimo.
O haicai nasce da prática, da observação do que não é observado, e esta é a matriz deste fenômeno da poesia oriental.

“Lanternas de bambu
enfeitam o caminho.
Manhã nublada.”

“Olho para trás,
presente já é passado.
Folhas secas do zen.”

 

* Fonte: Blog HaicaiZen. Autoria de Fábio Azevedo (Hyaku Ryuu Kei)