Um Sol Coração

Onde a vida está? Onde tu és?

Sobre o caminho.

“Há um complexo e árduo caminho que vai do eu ao si-mesmo”. Simplesmente aqui-agora.

Abordando a perspectiva do zen budismo sobre a questão de Deus, Suzuki assinala que essa tradição não nega nem afirma Deus, nem se apega a qualquer entrave dogmático da teia religiosa. O horizonte de sua busca envolve a ultrapassagem de toda lógica, na busca de uma afirmação mais profunda. Para que isso ocorra é necessário ter a mente livre e desobstruída, também com respeito às idéias de totalidade ou unidade. O que ocorre é um misticismo peculiar, a seu “próprio modo”.

Como assinala Suzuki, o zen “é místico no sentido de que o sol brilha, que uma flor desabrocha”. Trata-se de uma mística que “treina sistematicamente o pensamento para ver isso. Abre os olhos do homem para o grande mistério que diariamente é representado. Alarga o coração para que ele abranja a eternidade do tempo e o infinito do espaço em cada palpitação e faz-nos viver no mundo como se estivéssemos andando no Jardim do Éden”. Na perspectiva do zen,  a verdade está bem próxima do cotidiano, basta saber ver. Não é necessário perder-se em “abstrações verbais e sutilezas metafísicas” para alcançar o seu significado. A verdade “se acha realmente nas coisas concretas de nossa vida diária”.

O que ocorre com o zen budismo é a busca de uma liberdade absoluta, mesmo com respeito a Deus. O que predomina e determina a reflexão é a consciência de que nada permanece de forma duradoura. Não há lugar para apegos, representações ou figuras de retórica. Os nomes são todos imperfeitos e limitados. Rejeita-se mesmo o apego a Buda, como sinalizado na conhecida expressão: “Se encontrares o Buda, mate-o”.

* Fonte: MonjaCoen.com.br

Conto Zen: Tigelas

Certa vez um discípulo perguntou ao mestre Joshu:

“Mestre, por favor, o que é o Satori?”

Joshu respondeu-lhe:

“Terminaste a refeição?”

“É claro, mestre, terminei.”

“Então, vai lavar tuas tigelas!”

 

* Satori na tradição Zen Budista, é “despertar” para o si-mesmo, a descoberta de quem se é, “compreensão”, a primeira percepção da Verdadeira Natureza ou Natureza Búdica. Segundo Carl Jung, “o processo do Satori é formulado e interpretado como uma rutpura e uma passagem da consciência limitada na forma do eu para a forma do si-mesmo que não tem um eu. Essa concepção corresponde ao zen, bem como à mística do mestre Eckhart”: C.G. JUNG, em Psicologia e religião oriental.

 

Sou um todo… ao incluir o outro.

Aquilo que não liberto, me consome.

fluindo

A energia da vida, o rio do amor… tem uma legítima condição… passar espontaneamente livre, incondicionalmente… mas ao impedirmos que ele flua… que ele circule, que passe por nós, desfazendo os nós… o condicionamos e a ele nos apegamos, nos cegamos, inflamamos, viciamos e nos aprisionamos… mas o inocente selvagem… não pode ser trancafiado – não se pode parar o impermanente – não se pode deter e ficar para si o que não é seu por natureza… o amor, nascido para fluir, renascido para livre circular… renascente para passar adiante… é simplesmente uma fluida pureza no ar que se respira… que vivifica, que sustenta e transforma… tudo e todos em perpétua vida…

“Amar o todo,

o tempo todo.”

Todo tempo amor.

Em última instância, naquela estância maior… Mesmo incerto é preciso perdoar todos os atos e todos os outros… E assim, continuando a vir-a-ser contínuo… Um todo… O amor como um todo… Repleto-vazio em si…

 

* Diálogo poético com o querido blogueiro Mariel Fernandes. Publicado originalmente em setembro/2014.

* Imagem de satélite do golfo de Cambridge, Austrália.

Ave! Pouso! Voo! Repouso!

No quesito fantasia… o pássaro é real.

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“Um pássaro não teme que o galho quebre… pois sua confiança está em suas asas…” e em seu pleno voo.

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“Reconheça a verdade embora doa”… Na chegada, encontramos… Retornamos ao ponto de partida.