Conto Zen: O monge indiferente

por EM SI: LUGAR DE GRAÇA

Uma velha construiu uma cabana para um monge e o alimentou por vinte anos, como forma de adquirir méritos. Certo dia, como forma de experimentar a sabedoria adquirida pelo monge, a velha pediu à jovem mulher que levava ao monge o alimento todos os dias (já que a velha senhora não podia mais fazer o caminho com freqüência) o abraçasse.

Ao chegar à cabana, a menina encontrou o monge em zazen. Ela abraçou-o e perguntou-lhe se gostava dela. O monge, frio e indiferente, disse de forma dura:

“É como se uma árvore seca estivesse abraçada a uma fria rocha. Está tão frio como o mais rigoroso inverno, não sinto nenhum calor.”

A jovem retornou, e disse o que o monge fez. A velha, irritadíssima, foi até lá, expulsou o monge e queimou a cabana. Enquanto ele se afastava, ela gritou:

“E eu, que passei vinte anos sustentando um idiota!”

 

Meu insight do momento: Quanto tempo passamos sustentando e preservando uma imagem de si mesmo, representando um ideal que não somos? Ser é estar sendo…