Um Sol Coração

Onde a vida está? Onde tu és?

Acorde pela manhã.

Acorda pra vida ao despertar do sonho.

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Agora

Não vejo

A hora.

 

“Caminhante, não há caminho, se faz caminho ao andar.” Cantares – Antonio Machado

 

Abelhas. Fiéis a vida.

Somos tesouros. Com-um coração de ouro. A serviço do ser vivo… que o todo é.

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“Todo caminho é decisão.”

Toda decisão é caminho.

 

Diálogo poético com Cristileine Leão do Blog Depressão com Poesia.

* Postado originalmente em Outubro/2017.

O que nos assombra? O que nos ilumina?

“Abrace a sua sombra e traga ela pra vida. As vezes, no escuro se encontra a saída.”

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O que não está claro e tememos é o sombrio. O que está esquecido mas negamos, rejeitamos, abandonamos e mantemos escondido é sombrio. O que não queremos mostrar, o que impedimos de se revelar, o que negamos estar em nós, o que não se expressa é a nossa sombra que nos assombra… assombrando a realidade que se vivencia.

Pode ser uma dor sentida, uma dor ressentida – o sofrimento, pode ser uma memória ruim e o medo daquilo se repetir, um erro, um engano, uma decepção, um apego, um segredo não tão bonito, pensamentos ofensivos e opressivos, sentimentos egoicos, julgamentos injustos, preconceitos, justificativas e pode ser o que há de mais puro em nós, mas está obscuro, bloqueado por nós e nos deprimindo…

Todas as formas de velar-se, de aparentar o que não é, de fingir como está, de ocultar a luz do entendimento, a clareza do discernimento, todo modo de evitarmos, fugirmos ou bloquearmos a nossa sincera, legítima e espontânea expressão… não pacifica nosso mundo interior, não limpa a consciência, não estamos em sã consciência… somos o anti-herói da própria existência…

 

É preciso chorar.

É preciso botar pra fora… o que nos paralisa.

É preciso esvaziar-se do que provoca o nosso vazio existencial.

É preciso ouvir e ser ouvido, ver e ser visto.

É preciso se respeitar, se aceitar, assumir-se e acolher-se.

É preciso cuidar-se, amar-se, se refazer e se curar.

É preciso realizar as tais catarses e…

Unir-se àquilo que é em si… o vivo.

 

É insuportável viver repetindo-se e se consumindo pelo desamor e sofrimento… Reciclar-se e se renovar é a forma de manter-se sustentável no presente da plena presença… É tempo de aprender a crescer pelo amor e florescer na cura… Tempo de refazer as asas com as próprias penas… e encontrar-se nas alturas do céu aberto-coração…

“Aprende com o Silêncio” – Jean-Yves Leloup

“Aprende com o silêncio a ouvir os sons interiores da sua alma, a calar-se nas discussões e assim evitar tragédias e desafetos…

Aprende com o silêncio a aceitar alguns fatos que você provocou, a ser humilde deixando o orgulho gritar lá fora, evitar reclamações vazias e sem sentido…

Aprende com o silêncio a reparar nas coisas mais simples, valorizar o que é belo, ouvir o que faz algum sentido…

Aprende com o silêncio que a solidão não é o pior castigo, existem companhias bem piores…

Aprende com o silêncio que a vida é boa, que nós só precisamos olhar para o lado certo, ouvir a música certa, ler o livro certo.

Aprende com o silêncio que tudo tem um ciclo, como as marés que insistem em ir e voltar, os pássaros que migram e voltam ao mesmo lugar, como a Terra que faz a volta completa sobre o seu próprio eixo, complete a sua tarefa.

Aprende com o silêncio a respeitar a sua vida, valorizar o seu dia, enxergar em você as qualidades que você possui, equilibrar os defeitos que você tem e saber que precisa corrigir e enxergar aqueles que você ainda não descobriu.

Aprende com o silêncio a relaxar, mesmo no pior trânsito, na maior das cobranças, na briga mais acalorada, na discussão entre familiares…

Aprende com o silêncio a respeitar o seu “eu”, a valorizar o ser humano que você é, a respeitar o Templo que é o seu corpo, e o Santuário que é a sua vida.

Aprende hoje com o silêncio, que gritar não traz respeito, que ouvir ainda é melhor que muito falar…

Na natureza tudo acontece com poder e silêncio, com um silêncio poderoso; por vezes, o silêncio é confundido com fraqueza, apatia ou indiferença.

Pensa-se que a pessoa portadora dessa virtude está impedida de reclamar seus direitos e deve tolerar com passividade todos os abusos.

Acredita-se que o silêncio não combina com o poder, pois este tem se confundido com prepotência e violência.

O Sol nasce e se põe em profunda quietude; move gigantescos sistemas planetários, mas penetra suavemente pela vidraça de uma janela sem a quebrar.

Acaricia as pétalas de uma rosa sem a ferir, e beija as faces de uma criança adormecida sem a acordar; aí uma vez vamos encontrar na natureza lições preciosas a nos dizer que o verdadeiro poder anda de mãos dadas com a quietude.

As estrelas e galáxias descrevem as suas órbita com estupenda velocidade pelas vias inexploradas do cosmos, mas nunca deram sinal da sua presença pelo mais leve ruído.

O oxigênio, poderoso mantenedor da vida, penetra em nossos pulmões, circula discreto pelo nosso corpo, e nem lhe notamos a presença.

A luz, a vida e o espírito, os maiores poderes do universo, atuam com a suavidade de uma aparente ausência.

Como nos domínios da natureza, o verdadeiro poder do homem não consiste em atos de violência física, quando um homem conquista o verdadeiro poder, toda a antiga violência acaba em benevolência.

A violência é sinal de fraqueza, a benevolência é indício de poder.

Os grandes mestres sabem ser severos e rigorosos sem renegarem a mais perfeita quietude e benevolência.

Deus, que é o supremo poder, age com tamanha quietude que a maioria dos homens nem percebem a Sua ação.

Essa poderosa força, na qual todos estamos mergulhados, mantém o Universo em movimento, faz pulsar o coração dos pássaros, dos bandidos e dos homens de bem, na mais perfeita leveza.

Até mesmo a morte, chega de mansinho e, como hábil cirurgiã, rompe os laços que prendem a alma ao corpo, libertando-a do cativeiro físico.

O verdadeiro poder chega: sem ruído, sem alarde e sem violência.
Sempre que a palavra poder lhe vier à mente, lembre-se do Sol: nasce e se põe em profunda quietude; move gigantescos sistemas planetários, mas penetra suavemente pela vidraça de uma janela e você só sabe pelo calorzinho que ele proporciona.

Acarinha as pétalas de uma flor sem a ferir, beija as faces de uma criança adormecida sem a acordar.

“Bem aventurados os mansos, porque eles possuirão a Terra.”

Fonte: Ventos de Paz