Um Sol Coração

Onde a vida está? Onde tu és?

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a M a r é . . .

Amares em oceano…

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Permitir-se dançar com o oceano… mesmo por movimentos imprevisíveis, são renováveis ao certo…

Entregar-se ao mar aberto… Confiar no fluxo… Aceitando as ondas que vem do fundo chegarem a praia… Agradecendo por ser observador, experienciando esta viagem oceânica…

“Vai para ti mesmo” – Jean-Yves Leloup

Longo e profundo trecho do livro O Absurdo e a Graça, que reflete sobre os desertos e travessias na relação com o outro e sobre como amar este outro…

Por que os mortos são tão pesados para carregar?…
Porque eles têm o peso de todas as palavras que não puderam dizer.
Há silêncios pesados, silêncios que não têm fim: o deserto está entre nós… A distância que nos separa parece intransponível, não adianta gritar, nem explicar; ninguém nos responde. Estamos, no entanto, sentados à mesma mesa. Todavia, não existe mais comunhão. Dormimos na mesma cama, mas não dormimos mais nos mesmos sonhos; e cada manhã, colados um ao outro, nos encontramos cada vez mais afastados…

Entre nós há o deserto, e não é mais o belo silêncio de nossas noites estreladas, mas o frio, a ausência à flor da pele. As palavras que nos saem da boca são escorpiões mortais, e cada um envenena o outro com o veneno das suas acusações ou das suas justificações.

O que o deserto nos pode ensinar?
Que o outro é um outro e que, numa verdadeira relação, não se pode prescindir da diferenciação, quer essa diferenciação assuma as formas agressivas do conflito ou as formas mais capciosas do tédio – “o outro é um peso para mim”, resiste às nossas vontades de apropriação, não se deixa reduzir ao mesmo.

Ele não é eu. Ele pensa, vive e ama “de outro jeito”, e talvez seja esta revelação que o deserto nos traz, a revelação da alteridade – o outro irredutível às minhas vontades de prazer, de posses, carnais, afetivas , intelectuais.

O deserto é um lugar de diferenciação. Não posso decepcionar-me, a não ser à medida das minhas expectativas. Eu esperava que o outro correspondesse a uma certa imagem de homem, de mulher, de casal etc, imagem herdada de nossos pais e da sociedade. Eu amava “uma outra metade”, a metade que me faltava, sem dúvida.. Na verdade eu só me amava a mim mesmo, e agora descubro um outro que, na sua alteridade, não está mais aí para preencher as minhas carências, “tapar meu buraco”.

Ele é bastante ele mesmo ou talvez me ame bastante para me decepcionar, para não me responder como um espelho ou como um conjunto de complacências capaz de me encerrar em minhas reivindicações e frustrações infantis.
Eu me encontro, então, com “um outro inteiro”, que me força ou me convoca para a minha própria inteireza, essa inteireza que jamais se pavoneará como algo totalmente “acabado”, que sempre guardará uma sede para acolher o outro, mas não irá mais impor suas carências nem culpabilizará o outro por não preenchê-las tampouco.

A prova do deserto entre dois seres humanos conduz ao oásis de um verdadeiro encontro, encontro de duas liberdades que, além das regressões fusionais e dos impasses da separação, descobrem que são capazes de Aliança.

Mas nem todos tem a coragem de atravessar o deserto. Aos primeiros sinais do esfriamento da pulsão, às primeiras afirmações das suas diferenças, irredutíveis, ou quando começa a fase da monotonia, o tédio do dia-a-dia, os dois reclamam: ”Não te amo mais”, e vão procurar, alhures, recomeçar a mesma história, beber na mesma miragem, justamente no instante em que a verdadeira fonte não estava longe, quando chega ao fim esse silêncio, essa incompreensão, quando se perdoa o outro por ser um outro e onde enfim se vai talvez poder amá-lo e cantá-lo na sua diferença.

Existem os desertos de areia e há também os desertos da ampulheta, o tempo da paciência, instante após instante, descobrir o milagre que fundamenta a nossa aliança.

E esse deserto, o que é que nos ensina? Ensina o não apego, a des-apropriação do outro. Amar uma pessoa é renunciar a possuí-la, a fazer dela uma propriedade. Nessa renúncia nos é dada a alegria de ser, de ser-com, sem expectativas, sem cobranças, não, porém, sem lucidez, rigor e ternura.

“Vai para ti mesmo”, dizia a bem-amada ao bem-amado, no Cântico dos cânticos. Vai para o teu deserto, como vou também eu para o meu, lá, dando a volta às dunas, iremos encontrar o oásis, onde, libertados das nossas sedes, seremos o poço que aflora um para o outro.
Há também, no coração da relação, o deserto do luto, luto físico ou afetivo – “falte-vos um só ser, e tudo estará despovoado”; falte-vos um só ser, e o mundo é um deserto.

Quando se volta para a casa vazia os corredores parecem não ter fim, e o quarto que ressoava com nossas risadas ou nossas discussões, tem silêncios hostis – “e aquele dos dois que resta, se encontra no inferno…. Aí também precisamos aprender que o outro não nos pertence, mas antes de poder dizer-lhe ainda “vai para ti mesmo”, “vai para a tua luz”, novamente há um longo deserto a atravessar.

O que nos ensinará a morte, senão aquilo que já aprendemos com a solidão? Saber que não existe para ninguém, não ser mais nada, ser apenas um grão de poeira no areal do tempo.

E aí posso ser também tentado por miragens, tentar comunicar-me com os mortos, “trans-comunicação”, mesas que giram, escritas automáticas, tudo isso, poderia, talvez, proporcionar-me algum consolo. Consolo menor, porém, que o da minha solidão aceita, assumida, pois nessa solidão se descobre talvez o maior milagre de uma aliança.
Assim não é necessárias que eu lamente a bondade mas preciso vivê-las ainda mais. Não me deixo mais levar pelas asas da sua presença que se desvaneceu, mas estou cada vez mais presente à terra e à vida que guarda as marcas de seu percurso, da nossa passagem comum.

Amar o outro é renunciar a possuí-lo, mesmo morto. É renunciar a que volte, descobrir que ele está sempre aí, em seu silêncio que não nos mete mais medo, em um deserto que se faz hospitaleiro para acolher tudo aquilo que temos de mais precioso, o essencial que nos resta quando nada mais nos resta.

Fonte: Ventos de Paz

“Amar… apesar de tudo.”

Amar é o que há… O que é, o que somos… Amor para se amar… 

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“Amar… apesar de tudo!

Amar… apesar do medo, da ansiedade, da angústia, da incerteza.

Amar… apesar do passado, do futuro… apesar do presente.

Amar… apesar dos impasses, das dificuldades, dos problemas.

Amar… apesar das impossibilidades.

Amar… apesar do mal, da destruição, da ameaça, do coração de pedra.

Amar… apesar da separação, da indefinição.

Amar… apesar da sombra.

Amar… apesar do outro.

Amar… apesar de mim.

Amar… apesar de Deus.

Amar…

Hoje, mais que nunca, amar.

Amar… a porta que dá acesso ao jardim.”

 

Jean-Yves Leloup

Aquele Abraço

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Ao mar.

Amar.

A março.

 

* Foto: “Uma onda no céu coração.”

OM. dOM.

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domar o medo.

do mar o amor.

do amor o mar.

Ama, pois é Amor.

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o amor cura

o amor pacifica

o amor salva

o amor ensina

aquele que ama…

a vida como ela é:

amada florescência.

 

AmarElas ~ AmarElo

Quê Graça!

Graças!

Flor e Borboleta…

Amarela… Branca e Preta…

E é coisa seria! Florescer e Polinizar…

Dando Arte à Vida e Vida à Arte…

O Encontro, um Cruzamento, Vivenciando a Paz…

 

* Meu atual Autorretrato. 🦋

 

 

 

Dar sauDar

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Amar é compreender, fluir. Amor é compreensão, confluir.

 

Estar em si-agora, no fluxo que o conduz… Discernindo as sombras em si… Atravessando o escuro… Transparecendo, sendo luz…

 

Quando não existe Eu, eu sou Deus? “O Deus que habita em mim, saúda o Deus que habita em ti…”

Abrace. Abra-se para o Aberto.

Abra-se e saia da redoma, dome o medo, desperte do coma, abrace e ama…

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Faça o casamento místico, equilibre os polos, harmonize os opostos, una um e outro, ele e ela, realize a síntese… seja inteiro em si mesmo…

Enquanto houver em si, uma vítima e um culpado, não há o ser humano autorresponsável… com amor e responsabilidade, tu és compaixão e liberdade de ser…

Aceite-se para sentir-se pertencendo… ao pertencer se reconhece parte do todo… ao fazer a sua parte, realizando seu propósito vital, pode tornar-se inteiro… sendo um com o todo…

Se reconheça luz, iluminando suas sombras… permanecer impermanente, transmutando a morbidez em lucidez… somos oceánicos: partícula-onda…

Presente: Está ou não está?

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A chama

O chama.

É chamado.

Não há chamada

A cobrar…