Um Sol Coração

Onde a vida está? Onde tu és?

Tag: bambú

Conto Zen: Nem água, nem lua.

Por anos e anos, a monja Chiyono tentou o seu melhor, sem conseguir chegar à iluminação.
Uma noite, carregava um velho pote de bambu, cheio de água.
Enquanto caminhava, observava atenta a lua cheia refletida na superfície da água.
De repente, o fundo do pote se rompeu e a água escorreu, o reflexo da lua se foi.
– e Chiyono Iluminou-se.

Naquele momento, escreveu estes versos:

“De um modo ou de outro tentei segurar o pote inteiro,
esperando que o frágil bambu nunca se partisse.
De repente, o fundo caiu.
Não havia mais água,
nem a lua refletida,

o vazio em minhas mãos.”

 

* Meu insight do momento: Dê passagem. De passagem.

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Silêncio: Espaço-templo.

Em silêncio… Ao silêncio… 

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em si está…

o templo do silêncio.

enquanto se está…

em si… em silêncio

está no espaço-templo…

Conto Zen: A pedrinha no bambu

Hsiang-yen fui discípulo de Pai-chang. Era uma pessoa muito inteligente, e sempre confiou na presunção de que se estudasse e absorvesse todo o conhecimento dos termos e textos budistas, seria um entendedor do Zen. Após a morte de seu mestre, ele dirigiu-se a Kuei-shan – que era o mais antigo discípulo de Pai-chang – para que este lhe orientasse. Mas Kuei-shan comentou:

“Soube que estiveste sob a orientação de meu antigo mestre e falaram-me de tua notável inteligência. Tentar compreender o budismo através deste meio leva geralmente a uma compreensão analítica, que em si nada tem de útil, mas que pode indiretamente levar o praticante a uma intuição do sentido Zen. Por isso, eu lhe pergunto: como tu eras antes de teus pais terem lhe concebido?”

Hsiang-yen ficou pasmo, sem saber o que dizer. Pediu licença e foi para seu quarto, e procurou em todos os textos e conceitos uma resposta para a estranha questão. Não foi capaz, e voltou ao outro monge. Pediu-lhe para ensinar sobre o sentido do que quis dizer, e Kuei-shan perguntou:

“Sinto muito, mas nada tenho a lhe dar. Tu sabes mais do que eu, e se nós debatêssemos com certeza eu ficaria em dificuldades. Tudo o que eu lhe pudesse dizer pertence às minhas descobertas pessoais e jamais poderia ser teu.”

Hsiang-yen ficou desapontado e achou que o monge mais velho lhe estava escondendo algo deliberadamente. Resolveu partir do templo, e buscar o conhecimento através dos livros e conceitos, pois achava que na verdade o seu conhecimento não era suficiente, e por isso o outro não quis lhe responder. Foi morar em um eremitério e passou a estudar com afinco. Após vários anos, achando-se suficientemente conhecedor dos conceitos buddhistas, voltou a Kuei-shan. Este, quando ouviu suas doutas explicações e sua solicitação por orientação, apenas sorriu e nada disse. Virou-se e foi embora.

Hsiang-yen ficou irritadíssimo. Naquele momento tomou uma decisão, destruiu todos os seus textos e resolveu desistir dos estudos, ainda que já fosse um grande intelectual. Ele pensou: “Qual a utilidade de estudar o budismo, se este é tão sutil e se é tão difícil receber instruções de outrem? Serei agora um simples monge praticante, e desisto de entender qualquer coisa!”

Abandonou o templo e suas cercanias, construiu uma cabana próxima à sepultura de Chu, o Mestre Nacional de Nan-yang, e passou a viver uma vida simples longe dos estudos e questões.

Certo dia, estava varrendo o chão de sua casa quando a vassoura tocou numa pedrinha, que rolou e bateu em um bambu. Em meio ao silêncio, o som ecoou suavemente. Ao ouvir este som, Hsiang-yen experimentou o Satori, e finalmente compreendeu o que tinha lhe dito Kuei-shan. Ele então ajoelhou-se e silenciosamente fez uma reverência de agradecimento ao sábio monge.

Tao – O vazio do bambu

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“Se o bambu tivesse o talo maciço, ele seria pesado, rígido, inflexível. Com isso, os taoistas perceberam que é o vazio que garante as qualidades do bambu. O vazio é um dos conceitos fundamentais do pensamento oriental.

Para a maior parte das pessoas, o vazio tem um sentido negativo. Significa nulidade, inexistência, zero. Para os orientais é o oposto. Se o bambu tem suas virtudes por causa do caule oco, então o vazio tem um sentido positivo. O vazio é a origem de boas qualidades, é algo que se valoriza e permite a existência das coisas. Basta pensarmos de modo inverso. Se o elevador estiver lotado, não podemos entrar. Se nossa mente estiver entulhada de preocupações, não podemos pensar direito.

É dessa forma que os sábios antigos viam o vazio. Não pela ausência, mas sim pelas possibilidades que ele abre, pelos benefícios que ele traz. É uma visão positiva e não negativa. Um antigo texto chinês, o Tao Te Ching, diz: “O vaso é feito de argila, mas é o vazio que o torna útil. Abrem-se portas e janelas nas paredes de uma casa, mas é o vazio que a torna habitável”.

O vazio é invisível. Apesar de óbvio, esse detalhe é fundamental porque mostra que as coisas mais importantes são invisíveis. Os sábios sabem que existem coisas mais profundas do que as aparências.

Para os mestres orientais, o vazio é universal, onipresente. Percebiam que o Sol flutuava no céu, no vazio, que a lua flutuava no escuro da noite, no vazio. Para os mestres orientais, “universo”, “o todo” e “vazio” são conceitos correspondentes. Tudo nasce no (e do) vazio e tudo volta para o vazio. O mesmo vazio do bambu.

Trecho do livro A sabedoria da Natureza, de Roberto Otsu, Editora Ágora, S. Paulo.

É amando que se encontra…

“Reconhecer o que o momento presente exige e confiar”. Ser renovável… Entre véus… 

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Por vezes, faz sentido e não é sentido.

Por vezes, é sentido e não faz sentido.

Mas o que dá sentido, há de estar em sintonia com o que é sentido…

Enquanto somos repleto vazio, intuitivos… Abertamente justos, em equilíbrio…

Tema: Não Tema

“…à mais profunda e elevada presença.”

“Que eu possa ser uma flauta de bambu na qual o Sopro da Vida toque sua melodia…”

Todos temos sofrimentos, apegos e ignorância… Mas há quem esteja mergulhado em sofrimentos, apegos, ignorância e raiva… muita raiva, numa ira que provoca repetidamente, velhos e novos inimigos…

Para poder… ilusoriamente sentir-se que está do “lado do bem”… e alimentar sua sensação de poder, de controle e domínio… mas o “justiceiro” ao mesmo tempo olhar-se no espelho e enxergar-se a vítima de tudo isso…

Não aceita o outro como ele é, não permite que o outro seja o que ele é… não aceita a vida como ela é… Pois simplesmente não aceita-se… e infelizmente é o próprio inimigo infeliz…

Não rivalize, não negue, não rejeite, não tema… sim aceite, sim perdoe, sim reconcilie, sim respeite… faça as pazes consigo mesmo, pois assim é… simplesmente… ser livre… dos próprios algozes…

 

Não julgue nem culpe, lamente se preciso, mas abra-se e limpe a mente e o coração… Silenciando, aceitando, deixando passar todo e qualquer pensamento… Esvaziando toda aquela água parada no coração… Retornando à Fonte, renovando-se… Preservando-se repleto de paz…

Cada dia de uma vez, cada noite outra vez, mais uma vez é: um… novo… presente…

“Haicai – Um Olhar Zen”

“Estrada de bambus
Ano novo chegando
Velho caminho”

“O Zen fez nascer em mim um olhar mais detalhista, às vezes minimalista, praticar o Haicai me mantém em plena atenção, percepção de tudo, de todos, do nada…”

“Brisa úmida
surpresa no fim da trilha.
Tesouro oculto.”

De origem japonesa, o Haiku (também conhecido como hokku, haikai ou Haicai) é uma breve composição poética, que tem raízes nas profundas relações do homem com a natureza. Esta arte obedece a uma forma estrutural de 17 sílabas ou fonemas, distribuídos em 3 versos. O fundamento filosófico do haiku possui bases budistas, conceituando que neste mundo em que estamos tudo é transitório, somos parte da natureza sujeitos e feitos de mudanças contínuas assim como as estações (outono, inverno, primavera, verão).

Ao amigo Monge Genshô

“Procurando a luz,
na madrugada de inverno.
Seguir no caminho.”

Raiz do Haicai – Nascido no séc. XVII, como (松尾金作) Matsuo Kinsaku (1644-1694), mas conhecido popularmente por Matsuo Bashô, possuía ligação intrínseca com o zen-budismo e sua busca pela iluminação. A visão de Bashô nos leva a conhecer o mundo por outro prisma, uma ótica fincada no desapego e na transitoriedade do ser.
Bashô sempre deixava fluir uma pitada de filosofia Zen Budista em suas obras, tornou-se a maior referência da poesia japonesa, sua sensibilidade emergia das profundezas do vazio, brotando forte e vigorosa.
Sua visão de mundo até hoje inspira milhões, o mestre andarilho foi metafórico em suas obras, mas não o suficiente para tirar a leveza do zen, talvez no dia que resolveu descansar em sua cabana, escolheu uma agraciada com a vizinhança de uma bananeira, a lenda fez o nome, e Bashô (Bananeira em japonês), passou a ser seu pseudônimo.
O haicai nasce da prática, da observação do que não é observado, e esta é a matriz deste fenômeno da poesia oriental.

“Lanternas de bambu
enfeitam o caminho.
Manhã nublada.”

“Olho para trás,
presente já é passado.
Folhas secas do zen.”

 

* Fonte: Blog HaicaiZen. Autoria de Fábio Azevedo (Hyaku Ryuu Kei)

“Que luz é essa?”

“Nunca tarde, sempre cedo

Para cada perda, um encontro

Para cada desamor, um perdão

O ponto de vista é que é o ponto da questão

Que luz é essa que vem vindo, vem chegando lá do céu coração…”

 

 

* Parafraseando Raul Seixas, na canção “Que luz é essa?”

“retiDOM gratidOM”

Resultado de imagem para RETIDÃO bambu

OM

O DOM

O AMOR

 

É reto e oco, alto e enraizado, é espaço elevado… O bambu é flexivelmente focado… no profundamente ampliado… 

Oco Repleto

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hora cede

hora resiste

feito bambu

vestido

porém nu.