Um Sol Coração

Onde a vida está? Onde tu és?

Tag: buda

Sobre e Sob

Fecundo… Afundo fecundo.

Imagem relacionada

Colhemos o que plantamos.

Desfrutamos do que cultivamos.

Somos aquilo que buscamos.

Encontre-se aqui no agora.

 

Sobre a lama fértil. Sob a lótus fértil. Sobre o caminho de fé.

Paz que se faz desfazendo-se…

Nascemos prontos… prontos para a mudança…

Imagem relacionada

“Nada é fixo. Nada é permanente.”

 

Paciência, a tua existência é passageira… São mutáveis teus estados de consciência… Desfazendo-se das próprias negações, ilusões e resistências… Fazendo as pazes com aquele que é, é possível viver em paz… Convivendo pela paz… Como a vida é…

Coração de ouro… Em ti estás o tao tesouro…

Todos num Nada. Quê Nada?

A paixão, o caixão, e a compaixão…

Imagem relacionada

A impermanência

Ensina como ser,

Revelando como é.

 

A presença presente,

Impermanente-mente,

Assim que é.

 

Desperto. Desaperto. Desapego.

 

* Foto: “Ruínas do templo budista Wat Nong Bua Yai na Tailândia, que ficou escondido debaixo d’água por 20 anos após a construção da barragem de Pa Sak Cholasit, nas proximidades. Mas seus restos retornaram à superfície devido a uma seca extrema de uma década no centro da Tailândia”.

“Aos nós, feitos e desfeitos.”

A estátua nos lembra do caminho que há. Nos lembra da impermanência que é.

FB_IMG_1573644392495

Haicai por Ja Fae Francisco:

“Existencial
Cientista temporal
Sem bens, nem o mal…”

 

Meu diálogo com o Haicai:

Atemporal só o tempo.
Ciência e Consciência.
Um Total: De bem com o mal.

 

* Ja Fae Francisco é um amado tio. Tenho o privilégio de ter acesso a um Buscador próximo a mim. Sempre pude aprender muitas coisas sobre a Busca com ele. Hoje sinto-me honrado e agradecido por poder trocar com ele, quase que de igual para igual.

Solta, Salta, Salva…

O destino da flor é… Flor e ser.

Resultado de imagem para flor lotus no coração

Um Buda… Um Cristo…

Ser Um… A Salvo…

Por Despertar… Por Ser…

Salvador… Libertador…

Doador… de Si mesmo…

 

Penas da culpa ou Penas da paz?… Penas atadas a culpa impedem o voo do libertador perdão… Penas aliadas ao perdão podem voar em liberdade, de coração… Em paz, nas asas da compaixão… Repleto de gratidão…

Flor de Udumbara

Udumbara significa flor da sabedoria ou flor do vazio. Com seu florescimento, anuncia-se a chegada de um iluminado, um buda.

Sob o microscópio, pétalas e estames da lendária flor Udumbara. Segundo escrituras budistas, floresce somente a cada 3.000 anos.

 

“Ver uma pessoa totalmente desperta, um Buda, é tão raro que é como ver uma flor de udumbara. No mosteiro Tu Hieu, em Hue, há um pergaminho que diz: “A flor de udumbara, embora caída do caule, ainda é perfumada”. Assim como a fragrância da flor udumbara não pode ser destruída, nossa capacidade de iluminação está sempre presente. O Buda ensinou que todo mundo é um Buda, todo mundo é uma flor de udumbara.” Thich Nhat Hạnh

A flor como Arquétipo da Não-Substancialidade: “Aquele que não encontra núcleo ou substância em nenhum dos reinos do ser, como flores que são procuradas em vão em figueiras que não têm, um monge renuncia ao aqui e ao além, assim como uma serpente lança sua pele desgastada.”

Deixar ir… Voltar a ser…

Vivo, caminho… Caminho vivo…

Entregue. Desapegado do resultado.

Recebido. Desapegado do resultado esperado.

Presente. Conectado ao processo…

Ao contínuo caminho sob nossos pés.

 

Assim como a nossa existência, os pensamentos vem e vão… Ondas do mar vem e vão… Nuvens no céu vem e vão… Entre a inspiração e a expiração… A imanência que paira no ar… A perene presença… Repleto silêncio no coração da vida…

Ensinamento é para ser testado.

Não se aceita simplesmente por respeito. Mas por se respeitar, experimente e conheça…

Resultado de imagem para buda segura a flor de lotus

“Ó monges, assim como se examina o ouro com o objetivo de determinar sua qualidade, vocês devem colocar minhas palavras sob teste. Uma pessoa inteligente não as aceita meramente por respeito.” Buddha

 

O conhecimento leva a prática. A pratica encontra o conhecimento.

Não se apresse. Se concentre.

Não se apresse em acreditar… Se concentre em conhecer, experienciar…

Esteja aqui.

Agora em si.

 

“Não se apresse em acreditar em nada, mesmo se estiver escrito nas escrituras sagradas. Não se apresse em acreditar em nada só porque um professor famoso que disse. Não acredite em nada apenas porque a maioria concordou que é a verdade. Não acredite em mim. Você deveria testar qualquer coisa que as pessoas dizem através de sua própria experiência antes de aceitar ou rejeitar algo.” Siddartha Gautama, o Buddha, Kalama Sutra 17:49

“Não siga o passado, não se perca no futuro. O passado não existe mais, o futuro ainda não chegou. Observando profundamente a vida como ela é, aqui e agora, é que permanecemos equilibrados e livres.” Bhaddekaratta Sutta

“Cristo e Buda” – Jean-Yves Leloup

Resultado de imagem para cristo e buda

Quando um homem se encontra em um quarto escuro, ele precisa abrir todas as janelas. A janela que se dá para o Oriente e a que se dá para o Ocidente. Nós precisamos de todas as luzes. E hoje em dia, mais que em qualquer época, precisamos da Luz do Buda, e da Luz do Cristo.(…)

O que veremos aqui, não se trata da relação entre Jesus e Buda, mas entre Cristo e o Buda.

Tanto na tradição cristã como na tradição budista, nós fazemos a distinção entre três corpos.

Temos o corpo histórico, Nirmanakaya – é o corpo e a história de Jesus de Nazaré. Que podemos comparar ao corpo e a história de Sidharta Gautama da tribo de Sakyamuni.

Da mesma maneira que Jesus se tornou o Cristo pelo recebimento do Espírito, no momento do seu batizado, Sidharta torna-se o Buda, aquele cujo estado búdico está desperto, no momento do seu Despertar. Aqui falamos do Corpo Desperto, ou do Corpo do Cristo, o Meshiah – aquele que é habitado pelo Espírito.

Além deste corpo histórico e deste corpo transfigurado, ou desperto, existe o corpo essencial, o Dharmakaya, que na tradição cristã falaremos do Logos, do Verbo, da Luz pela qual tudo existe.

É importante nos lembrarmos destes três corpos, ou dessas três dimensões, porque muitas vezes comparamos aquilo que não é comparável: O corpo histórico de Jesus, com a Budeidade, ou estado de Clara Luz; ou o corpo histórico de Buda, com o Logos, o Verbo, dizendo que Jesus é Deus e que o Buda não passa de um homem. Nesse caso, estamos comparando níveis de realidade que não são comparáveis.

É interessante vermos qual era a vida de Jesus de Nazaré, e a vida de Sidharta Gautama da tribo de Sakyamuni. Veremos que são duas vidas bastante diferentes, seja num contexto geográfico, seja num contexto religioso – o mundo judeu para Jesus e o mundo hindu para Sidharta, e vermos como cada um interiorizou essas duas tradições, e por vezes entrando em conflito com representantes de ambas as tradições. Então, comparamos dois seres históricos. Um que terá uma vida curta e cujo final será dramático, e outra que é uma vida longa, cujos ensinamentos poderão ser transmitidos a muitas e muitas pessoas. Do ponto de vista histórico, Jesus e Sidharta não se assemelham muito.

Mas, ao nível do seu corpo de ensino, do seu corpo de doutrina, isto é, quando Cristo fala através de Jesus ou quando é o estado desperto que se expressa através de Sidharta, veremos que tanto um quanto o outro, buscaram o despertar de todos os seres vivos, a salvação e a libertação de todos os seres vivos, e aí poderemos ver que seus ensinamentos como complementares, como havia dito, nós precisamos de todas as luzes.

Quando S.S. Dalai Lama, fala sobre os ensinamentos do Buda – Purifique seu coração – nós poderemos encontrar muita ressonância com a tradição do evangelho.

Quando nos situamos no nível último, quando falamos de Jesus enquanto o Logos, o Verbo, como a natureza que dá existência a todas as coisas, esta Clara Luz original, e quando falamos do Buda enquanto Budeidade, neste momento estamos além de todas as comparações.

A Fonte da realidade é a Fonte da realidade. Não existem duas realidades, mas existem infinitas maneiras de expressá-la. A Fonte é Uma.

Quando falamos de Jesus e de Sidharta, estamos comparando dois seres históricos; quando falamos de Cristo e de Buda, estamos falando de dois seres históricos habitados um pela Budeidade e outro pelo Logos, pelo Verbo; e quando falamos da Realidade Última tanto do Cristo, quanto de Buda, então entramos no silêncio, esta Luz Original que está na Fonte dessas duas aparências, dessas duas grandes janelas, através das quais, a Luz do Despertar, a Luz do Vivente nos é transmitida.

 

* Trecho da Palestra “Buda e Cristo”, proferida por Jean-Yves Leloup (e Lama Padma Santem) na Academia Brasileira de Letras – Rio de Janeiro Jan/2013.

Fonte: Ventos de Paz