Um Sol Coração

Onde a vida está? Onde tu és?

Tag: deserto

Se eu quiser falar…

“Se eu quiser falar com Deus” – Gilberto Gil

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Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar, vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar

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Vendo GratuitaMente

Sobre o caminho da vida… Sobre a ponte invisível… Vendo permanecer a mudança.

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nascer é passagem.

morrer é passagem.

existir é passagem.

 

viver é travessia.

vida é a travessia da luz.

“ser é deixar a luz passar.”

 

No caminho do coração. No caminho, doo coração.

Amor e A morte

Entregue-se a vida, receba a morte… Entregue-se a morte, receba a vida.

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“Só podemos viver no presente, no agora, só existe aqui-agora, ainda que a mente teime em nos levar para o passado ou o futuro, muitos mestres já nos alertaram para isso.

Não é fácil, trata-se de trabalho para uma vida inteira, mas temos a missão de sermos a melhor versão de nós mesmos para irmos além.

Desligue o seu piloto automático e viva cada dia como se fosse o último”… Por princípio, afinal, cada momento, cada dia é único…

 

Iluminamos o que está escuro. Preenchemos o que está vazio. Sonorizamos o que está em silêncio. E agora, como retornamos ao princípio, sem fim nem começo?

O mistério sobre o fim… encerra o mistério sobre o princípio.

 

* Obra de Johfra Bosschart – “Escorpião”

A vi sã… A visão.

Do alto é profundo.. Nas profundezas é altíssimo…

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Um Monte de Sinais

O Monte Sinai

Além daqui, agora.

 

* Foto do Monte Sinai – Egito. Fonte: SharmVoyager.com

Tudo é processo. Tudo se transforma.

Afinal é como no princípio: circular.

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“Cada escolha, uma renúncia”… Uma só colheita.

 

Cada passo adiante

Um passe adentro

Uma pegada desapegada.

 

Sucesso é seguir presente… Em seu processo.

“Vai para ti mesmo” – Jean-Yves Leloup

Longo e profundo trecho do livro O Absurdo e a Graça, que reflete sobre os desertos e travessias na relação com o outro e sobre como amar este outro…

Por que os mortos são tão pesados para carregar?…
Porque eles têm o peso de todas as palavras que não puderam dizer.
Há silêncios pesados, silêncios que não têm fim: o deserto está entre nós… A distância que nos separa parece intransponível, não adianta gritar, nem explicar; ninguém nos responde. Estamos, no entanto, sentados à mesma mesa. Todavia, não existe mais comunhão. Dormimos na mesma cama, mas não dormimos mais nos mesmos sonhos; e cada manhã, colados um ao outro, nos encontramos cada vez mais afastados…

Entre nós há o deserto, e não é mais o belo silêncio de nossas noites estreladas, mas o frio, a ausência à flor da pele. As palavras que nos saem da boca são escorpiões mortais, e cada um envenena o outro com o veneno das suas acusações ou das suas justificações.

O que o deserto nos pode ensinar?
Que o outro é um outro e que, numa verdadeira relação, não se pode prescindir da diferenciação, quer essa diferenciação assuma as formas agressivas do conflito ou as formas mais capciosas do tédio – “o outro é um peso para mim”, resiste às nossas vontades de apropriação, não se deixa reduzir ao mesmo.

Ele não é eu. Ele pensa, vive e ama “de outro jeito”, e talvez seja esta revelação que o deserto nos traz, a revelação da alteridade – o outro irredutível às minhas vontades de prazer, de posses, carnais, afetivas , intelectuais.

O deserto é um lugar de diferenciação. Não posso decepcionar-me, a não ser à medida das minhas expectativas. Eu esperava que o outro correspondesse a uma certa imagem de homem, de mulher, de casal etc, imagem herdada de nossos pais e da sociedade. Eu amava “uma outra metade”, a metade que me faltava, sem dúvida.. Na verdade eu só me amava a mim mesmo, e agora descubro um outro que, na sua alteridade, não está mais aí para preencher as minhas carências, “tapar meu buraco”.

Ele é bastante ele mesmo ou talvez me ame bastante para me decepcionar, para não me responder como um espelho ou como um conjunto de complacências capaz de me encerrar em minhas reivindicações e frustrações infantis.
Eu me encontro, então, com “um outro inteiro”, que me força ou me convoca para a minha própria inteireza, essa inteireza que jamais se pavoneará como algo totalmente “acabado”, que sempre guardará uma sede para acolher o outro, mas não irá mais impor suas carências nem culpabilizará o outro por não preenchê-las tampouco.

A prova do deserto entre dois seres humanos conduz ao oásis de um verdadeiro encontro, encontro de duas liberdades que, além das regressões fusionais e dos impasses da separação, descobrem que são capazes de Aliança.

Mas nem todos tem a coragem de atravessar o deserto. Aos primeiros sinais do esfriamento da pulsão, às primeiras afirmações das suas diferenças, irredutíveis, ou quando começa a fase da monotonia, o tédio do dia-a-dia, os dois reclamam: ”Não te amo mais”, e vão procurar, alhures, recomeçar a mesma história, beber na mesma miragem, justamente no instante em que a verdadeira fonte não estava longe, quando chega ao fim esse silêncio, essa incompreensão, quando se perdoa o outro por ser um outro e onde enfim se vai talvez poder amá-lo e cantá-lo na sua diferença.

Existem os desertos de areia e há também os desertos da ampulheta, o tempo da paciência, instante após instante, descobrir o milagre que fundamenta a nossa aliança.

E esse deserto, o que é que nos ensina? Ensina o não apego, a des-apropriação do outro. Amar uma pessoa é renunciar a possuí-la, a fazer dela uma propriedade. Nessa renúncia nos é dada a alegria de ser, de ser-com, sem expectativas, sem cobranças, não, porém, sem lucidez, rigor e ternura.

“Vai para ti mesmo”, dizia a bem-amada ao bem-amado, no Cântico dos cânticos. Vai para o teu deserto, como vou também eu para o meu, lá, dando a volta às dunas, iremos encontrar o oásis, onde, libertados das nossas sedes, seremos o poço que aflora um para o outro.
Há também, no coração da relação, o deserto do luto, luto físico ou afetivo – “falte-vos um só ser, e tudo estará despovoado”; falte-vos um só ser, e o mundo é um deserto.

Quando se volta para a casa vazia os corredores parecem não ter fim, e o quarto que ressoava com nossas risadas ou nossas discussões, tem silêncios hostis – “e aquele dos dois que resta, se encontra no inferno…. Aí também precisamos aprender que o outro não nos pertence, mas antes de poder dizer-lhe ainda “vai para ti mesmo”, “vai para a tua luz”, novamente há um longo deserto a atravessar.

O que nos ensinará a morte, senão aquilo que já aprendemos com a solidão? Saber que não existe para ninguém, não ser mais nada, ser apenas um grão de poeira no areal do tempo.

E aí posso ser também tentado por miragens, tentar comunicar-me com os mortos, “trans-comunicação”, mesas que giram, escritas automáticas, tudo isso, poderia, talvez, proporcionar-me algum consolo. Consolo menor, porém, que o da minha solidão aceita, assumida, pois nessa solidão se descobre talvez o maior milagre de uma aliança.
Assim não é necessárias que eu lamente a bondade mas preciso vivê-las ainda mais. Não me deixo mais levar pelas asas da sua presença que se desvaneceu, mas estou cada vez mais presente à terra e à vida que guarda as marcas de seu percurso, da nossa passagem comum.

Amar o outro é renunciar a possuí-lo, mesmo morto. É renunciar a que volte, descobrir que ele está sempre aí, em seu silêncio que não nos mete mais medo, em um deserto que se faz hospitaleiro para acolher tudo aquilo que temos de mais precioso, o essencial que nos resta quando nada mais nos resta.

Fonte: Ventos de Paz

Luz e Sombra sob o Transparecer

“A mentira machuca a pessoa que a conta…”

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Qual a parte do pássaro que não voa? Sua sombra…

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Achastes o que procuras? Sim. E o que procuras? Um lugar para olhar para dentro e me encontrar.”

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Até que ponto um homem pode entrar no deserto? Só até a metade, após isso ele está saindo.

 

* Citações do filme “Últimos Dias no Deserto” (2015), de Rodrigo Garcia. “Sem discussões teológicas ou morais, o filme narra os 40 dias que Jesus passou no deserto orando, jejuando e pedindo orientação do seu Pai.”

Aprendo a Aprender.

Caminhando eu erro. Corrigindo me encaminho. Compreendendo eu caminho.

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Errando aprendo a cair…

Errando aprendo que sou aprendiz…

Errando aprendo que o sábio é humilde aprendiz…

 

Veja bem… A perfeição contempla também a imperfeição…

“Caminho errado também é caminho”… Caminho do aprendizado…

deSERto SOU

Trilhando no caminho… deserto…

foto6Marrocos

Repousando no deserto… caminho…

Via una de mão dupla, fonte viva…

Sendo a ponte, perpétua travessia…

 

Deserto é.

Não faça para provar ao outro. Mas prove-se e verá o outro…

desertos

no caminho

o obvio

é óbvio.