Um Sol Coração

Onde a vida está? Onde tu és?

Tag: encontro

Lugar que não se deve alugar.

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Por vezes, encontramos o nosso lugar numa distante e determinada estrada…

Noutras, encontramos o nosso lugar numa inesperada parada…

Mas quando encontramos o nosso lugar naquele secreto e misterioso lugar… lá… lá em si… no favorito lugar… a vida transforma-se noutra realidade… numa reveladora verdade… a nossa tão sonhada liberdade de ser… como somos… eis o sentido… da íntima e desafiadora jornada da vida… sem fim, perene princípio com finais e recomeços… pacificando… continuando a se despir, a se amar…

Esteja onde estiver… esteja em seu favorito lugar.

Buscador.

Buscador… Iluminador… Cura dor…

Preta e branca, branca e preta. Da lagarta ao casulo, do casulo a borboleta. Transparecendo aquela Consciência em autoconsciência.

 

Buscando encontrar. Encontrando a busca.

Encontrando ao se buscar. Encontrando-se na busca.

Perdido em pensamentos. Encontrado em silêncio.

“Vai para ti mesmo” – Jean-Yves Leloup

Longo e profundo trecho do livro O Absurdo e a Graça, que reflete sobre os desertos e travessias na relação com o outro e sobre como amar este outro…

Por que os mortos são tão pesados para carregar?…
Porque eles têm o peso de todas as palavras que não puderam dizer.
Há silêncios pesados, silêncios que não têm fim: o deserto está entre nós… A distância que nos separa parece intransponível, não adianta gritar, nem explicar; ninguém nos responde. Estamos, no entanto, sentados à mesma mesa. Todavia, não existe mais comunhão. Dormimos na mesma cama, mas não dormimos mais nos mesmos sonhos; e cada manhã, colados um ao outro, nos encontramos cada vez mais afastados…

Entre nós há o deserto, e não é mais o belo silêncio de nossas noites estreladas, mas o frio, a ausência à flor da pele. As palavras que nos saem da boca são escorpiões mortais, e cada um envenena o outro com o veneno das suas acusações ou das suas justificações.

O que o deserto nos pode ensinar?
Que o outro é um outro e que, numa verdadeira relação, não se pode prescindir da diferenciação, quer essa diferenciação assuma as formas agressivas do conflito ou as formas mais capciosas do tédio – “o outro é um peso para mim”, resiste às nossas vontades de apropriação, não se deixa reduzir ao mesmo.

Ele não é eu. Ele pensa, vive e ama “de outro jeito”, e talvez seja esta revelação que o deserto nos traz, a revelação da alteridade – o outro irredutível às minhas vontades de prazer, de posses, carnais, afetivas , intelectuais.

O deserto é um lugar de diferenciação. Não posso decepcionar-me, a não ser à medida das minhas expectativas. Eu esperava que o outro correspondesse a uma certa imagem de homem, de mulher, de casal etc, imagem herdada de nossos pais e da sociedade. Eu amava “uma outra metade”, a metade que me faltava, sem dúvida.. Na verdade eu só me amava a mim mesmo, e agora descubro um outro que, na sua alteridade, não está mais aí para preencher as minhas carências, “tapar meu buraco”.

Ele é bastante ele mesmo ou talvez me ame bastante para me decepcionar, para não me responder como um espelho ou como um conjunto de complacências capaz de me encerrar em minhas reivindicações e frustrações infantis.
Eu me encontro, então, com “um outro inteiro”, que me força ou me convoca para a minha própria inteireza, essa inteireza que jamais se pavoneará como algo totalmente “acabado”, que sempre guardará uma sede para acolher o outro, mas não irá mais impor suas carências nem culpabilizará o outro por não preenchê-las tampouco.

A prova do deserto entre dois seres humanos conduz ao oásis de um verdadeiro encontro, encontro de duas liberdades que, além das regressões fusionais e dos impasses da separação, descobrem que são capazes de Aliança.

Mas nem todos tem a coragem de atravessar o deserto. Aos primeiros sinais do esfriamento da pulsão, às primeiras afirmações das suas diferenças, irredutíveis, ou quando começa a fase da monotonia, o tédio do dia-a-dia, os dois reclamam: ”Não te amo mais”, e vão procurar, alhures, recomeçar a mesma história, beber na mesma miragem, justamente no instante em que a verdadeira fonte não estava longe, quando chega ao fim esse silêncio, essa incompreensão, quando se perdoa o outro por ser um outro e onde enfim se vai talvez poder amá-lo e cantá-lo na sua diferença.

Existem os desertos de areia e há também os desertos da ampulheta, o tempo da paciência, instante após instante, descobrir o milagre que fundamenta a nossa aliança.

E esse deserto, o que é que nos ensina? Ensina o não apego, a des-apropriação do outro. Amar uma pessoa é renunciar a possuí-la, a fazer dela uma propriedade. Nessa renúncia nos é dada a alegria de ser, de ser-com, sem expectativas, sem cobranças, não, porém, sem lucidez, rigor e ternura.

“Vai para ti mesmo”, dizia a bem-amada ao bem-amado, no Cântico dos cânticos. Vai para o teu deserto, como vou também eu para o meu, lá, dando a volta às dunas, iremos encontrar o oásis, onde, libertados das nossas sedes, seremos o poço que aflora um para o outro.
Há também, no coração da relação, o deserto do luto, luto físico ou afetivo – “falte-vos um só ser, e tudo estará despovoado”; falte-vos um só ser, e o mundo é um deserto.

Quando se volta para a casa vazia os corredores parecem não ter fim, e o quarto que ressoava com nossas risadas ou nossas discussões, tem silêncios hostis – “e aquele dos dois que resta, se encontra no inferno…. Aí também precisamos aprender que o outro não nos pertence, mas antes de poder dizer-lhe ainda “vai para ti mesmo”, “vai para a tua luz”, novamente há um longo deserto a atravessar.

O que nos ensinará a morte, senão aquilo que já aprendemos com a solidão? Saber que não existe para ninguém, não ser mais nada, ser apenas um grão de poeira no areal do tempo.

E aí posso ser também tentado por miragens, tentar comunicar-me com os mortos, “trans-comunicação”, mesas que giram, escritas automáticas, tudo isso, poderia, talvez, proporcionar-me algum consolo. Consolo menor, porém, que o da minha solidão aceita, assumida, pois nessa solidão se descobre talvez o maior milagre de uma aliança.
Assim não é necessárias que eu lamente a bondade mas preciso vivê-las ainda mais. Não me deixo mais levar pelas asas da sua presença que se desvaneceu, mas estou cada vez mais presente à terra e à vida que guarda as marcas de seu percurso, da nossa passagem comum.

Amar o outro é renunciar a possuí-lo, mesmo morto. É renunciar a que volte, descobrir que ele está sempre aí, em seu silêncio que não nos mete mais medo, em um deserto que se faz hospitaleiro para acolher tudo aquilo que temos de mais precioso, o essencial que nos resta quando nada mais nos resta.

Fonte: Ventos de Paz

Primeiramente afinal.

Cultivar uma mente de principiante… desaprendendo conscientemente, estando aberto ao observar, aceitar o mistério, sendo compassivo na vivência, convivência, sendo abertamente receptivo com a vida.

“Na mente do principiante, não há pensamento “Eu consegui algo”. Todos os pensamentos egocêntricos limitam nossa vasta mente. Quando não pensamos em realização, não pensamos em si mesmos, somos verdadeiros principiantes. Então podemos realmente aprender alguma coisa. A mente do principiante é a mente da compaixão. Quando nossa mente é compassiva, é ilimitada.” Shunryu Suzuki

Silencio…

Um

Todo

Vazio

…Silêncio

 

Encontro… “paz interior, a qualquer hora, em qualquer lugar” …ao encontro.

Silêncio: AbraSOM

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Agora

Aberto

Agora

Assim

A gratiDOM

Infinito Princípio : Fim Contínuo

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círculo

completo

vazio

repleto

totalmente

aberto

Honrar é Aceitar-se

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Honre o teu passado… Aceitando aquele que tu és.

Honre a origem e teus ancestrais… Aceitando este aqui-agora… Como a legítima e gratificante realidade… A se vivenciar… Criando, transformando e desfrutando… Celebrando e Consagrando-se…

Aprendendo e ensinado a Sabedoria – em Si – Perene… A presença presente na escola da vida…

Realizando-se em vida… Ao permitir que a vida possa espontaneamente circular… Inovando e se Renovando… Sendo por princípio, finalmente, o próprio Lar e-terno Lar…

 

A Cura está no Encontro com Aquele que proCura-se…

Atento ao Centro-Aberto

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perante a vida, somos iguais.

diante da realidade, somos diferentes.

na presença, em sã consciência de si, somos um.

Encontrar-se na ProCura

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Hora incerto, hora certo…

Hora impreciso, hora preciso…

Não precisa, é preciso…

 

A dúvida é o preço da pureza”… Intuindo somos a incalculável pureza…

 

*Citação de Jean-Paul Sartre

Vamos batendo asas em direção ao aberto…

borboletas

As borboletas se encontram… nas flores deste aberto jardim…

Que um dia elas mesmas se alimentaram e ocuparam…

Para se desprenderem, doarem e transformarem-se…

Naquelas que essencialMente são: metAMORfose…

 

* Gratidão pela inspiração à leitora BorboletaEscritora