Um Sol Coração

Onde a vida está? Onde tu és?

Tag: Fernando Pessoa

Agora em Ordem

Pela imagem da Rosa Cruz, Jesus é tirado da Cruz e nela brota a força viva e invencível do Cristo, a Rosa.” Fernando Pessoa

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A CRUZ, A ROSA E A ROSA CRUZ

Por que choras de que existe
A terra e o que a terra tem?
Tudo nosso – mal ou bem –
É fictício e só persiste
Porque a alma aqui é ninguém.

Não chores! Tudo é o nada
Onde os astros luzes são.
Tudo é lei e confusão.
Toma este mundo por estrada
E vai como os santos vão.

Levantado de onde lavra
O inferno em que somos réus
Sob o silêncio dos céus,
Encontrarás a Palavra,
O Nome interno de Deus.

E, além da dupla unidade
Do que em dois sexos mistura
A ventura e a desventura,
O sonho e a realidade,
Serás quem já não procura.

Porque, limpo do Universo,
Em Christo nosso Senhor,
Por sua verdade e amor,
Reunirás o disperso
E a Cruz abrirá em Flor.

* Poema datado de 6 de fevereiro de 1934, de Fernando Pessoa

“Eros e Psique” – Fernando Pessoa

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Eros e Psique

“Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.”

“O Encoberto” – Fernando Pessoa

Pegue o caminho… Desapegando do caminho.

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“Que símbolo fecundo

Vem na aurora ansiosa?

Na Cruz Morta do Mundo

A Vida, que é a Rosa.

*

Que símbolo divino

Traz o dia já visto?

Na Cruz, que é o Destino,

A Rosa, que é o Cristo.

*

Que símbolo final

Mostra o sol já desperto?

Na Cruz morta e fatal

A Rosa do Encoberto.”

 

Por fora montanha rochosa, por dentro caverna cristalina.

Sobre a Arte de Cuidar

“A natureza se explica, a alma se compreende.” Wilhelm Dilthey

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“-Te vejo. – Estou aqui”. Eu amo muito essa expressão, que vem da tradição xamanística da África do Sul: quando as pessoas vão saudar umas às outras, no idioma zulu, eles dizem: “sawubona”, que significa te vejo; e a resposta é “sikhona”, que significa: estou aqui. Eis o coração de uma nova educação: educar pra ver, educar para a presença, educar para cuidar, educar para escutar, educar pra interpretar. É atender o telefone que toca (um telefone tocou na audiência). Toda crise é um telefone que toca e nós precisamos atender, escutar e interpretar, senão vai continuar tocando, as vezes com outros números. Infelizmente, no que denominamos de normose, a patologia da normalidade, afirmamos: “tomou doril, a dor sumiu”. Você vai ao médico com um problema e, quando normótico, a única atitude deste técnico será eliminar o sintoma.

Eu penso numa pessoa que me procurou no consultório com dor nos seios, depois de ter consultado com muitos médicos, em vão. Ela já estava com algumas fantasias catastróficas a respeito. O terapeuta indagou: você pode se colocar no lugar dos seus seios, se identificar e falar como se fora seus seios? Ela então, ao entrar em contato com os seios, imediatamente se conectou com algo que tinha recentemente acontecido: ela tinha se separado do marido e porque ele tinha condições econômicas melhores ela abriu a guarda do filho. Desde então os seios começaram a doer. E quando ela pode fazer a catarse, redecidindo a sua atitude, ela saiu do consultório sem dor. Agora, imagina se ela não tivesse escutado o seu sintoma, se ela não o tivesse interpretado… um dia ela faria uma doença física. Geralmente as doenças começam num plano mais sutil e depois contagia o plano mais concreto, que é o físico.

“Basta a quem basta o que lhe basta,

o bastante de lhe bastar.

A vida é breve, a alma é vasta

Ter é tardar.” Fernando Pessoa

Análise e síntese são dois caminhos complementares de apreensão da realidade, como duas pernas que possibilitam o caminhar por trilhas aliadas do conhecer e do comungar. Enfim, a compreensão implica uma convergência do saber e do ser. Fernando Pessoa afirmava que Deus é um grande intervalo. Antes da pausa para o lanche, façamos novamente uma prática do silêncio, com a coluna ereta, a conexão com o sermão da montanha do instante, com a música dos pássaros, o mantra das águas, as vozes humanas, as paisagens da alma, a pausa – esta pátria doce de quietude – entre a inspiração e a expiração, com um leve sorriso na face. Habitar o agora.

 

Trechos do Texto: Uma breve introdução a arte de cuidar, por Roberto Crema

Aquilo que é essência na existência.

“O oposto de morte é nascimento… A vida é eterna.”

“O meu olhar é nítido como o girassol; eu não penso… pensar é estar doendo os olhos, pensar é não compreender. O mundo não foi feito para pensarmos sobre ele mas, sim, para olharmos para ele e estarmos de acordo. Eu não tenho filosofia, eu tenho sentidos e se eu falo sobre a natureza não é porque eu saiba o que ela é; é porque eu a amo e amo-a por isso, porque quem ama nunca sabe o que ama, nem por que ama, nem o que é amar. Amar é a eterna inocência, e a única inocência, não pensar.” Fernando Pessoa, em Guardador de Rebanhos

“O pensamento é o ruído do passado. Quando estou doente, eu penso. Descartes, um dos pais da modernidade, afirmava: penso, logo existo! Poderemos dizer: não penso, logo eu sou!” Krishnamurti

Diga a si mesmo… assim como Cristo falou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”… E assim É…

 

Fonte:  RobertoCrema.com.br – Citações do texto: Liderança no Século XXI – Impactos da passagem do milênio.

“Da minha Aldeia” – por Alberto Caeiro

Fernando Pessoa

“Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo…

Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer

Porque eu sou do tamanho do que vejo

E não do tamanho da minha altura…

 

Nas cidades a vida é mais pequena

Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.

Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,

Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,

Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,

E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.”

 

Fonte: FPessoa.com.ar – Site maravilhoso, dedicado a Fernando Pessoa, com uma extensa coletânea de poesias, fotos, cartas, etc.

“Iniciação” – Fernando Pessoa

Iniciação

Não dormes sob os ciprestes,

Pois não há sono no mundo.

……

O corpo é a sombra das vestes

Que encobrem teu ser profundo.

Vem a noite, que é a morte

E a sombra acabou sem ser.

Vais na noite só recorte,

Igual a ti sem querer.

Mas na Estalagem do Assombro

Tiram-te os Anjos a capa.

Segues sem capa no ombro,

Com o pouco que te tapa.

Então Arcanjos da Estrada

Despem-te e deixam-te nu.

Não tens vestes, não tens nada:

Tens só teu corpo, que és tu.

Por fim, na funda caverna,

Os Deuses despem-te mais.

Teu corpo cessa, alma externa,

Mas vês que são teus iguais.

……

A sombra das tuas vestes

Ficou entre nós na Sorte.

Não estás morto, entre ciprestes.

……

Neófito, não há morte.

g r a ç a I n a t a

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na semente

o sê…

no sê

a semente…

 

“Para ser grande, sê inteiro: nada/ Teu exagera ou exclui./ Sê todo em cada coisa. Põe quanto és/ No mínimo que fazes./ Assim em cada lago a lua toda/ Brilha, porque alta vive.” Fernando Pessoa

“Princípio das Mudanças” – Intertao

“Tudo que existe é formado pela mudança, não há o que mude, só há a mudança.”

Os oposto complementares Yin e Yang se alterna; ora yin e ora yang e  assim acontecem as mudanças.

O universo é como um rio em eterno fluxo, sempre mudando, descartando o velho e introduzindo o novo. A mudança é  natural e espontânea. Para um homem observar essas mudanças sem atrapalhar o seu fluxo,  precisa partir de um  ponto referencial constante.  Os chineses nos ensinam que esse ponto referencial constante,   é a não mudança – um espaço vazio interno de onde podemos nos harmonizar e seguir as mudanças sem a interferência de nossa  velha ideia de como compreendemos o mundo.

Este ponto referencial precisa ser estabelecido se queremos criar uma harmonia com os processos da mudança. Qualquer ponto referencial de onde tentamos compreender as mudanças é possível. Podemos explicar as mudanças  pelas nossas crenças religiosas, pela nossa cultura ou por uma visão cientifica, mas será sempre um ponto de vista que poderá ou não coincidir com as leis naturais pre-existentes ao surgimento da espécie humana na terra.

Para entender essas leis precisamos nos  harmonizar com o ponto referencial que não muda, que não depende da nossa ideia de mundo, do que possamos pensar ou almejar dele. Precisamos de um espaço vazio e aberto para que se revele o fluxo das leis  universais que operam as mudanças.

O ponto referencial do homem comum  se forma  da infância  a condição adulta, e  a partir de sua relação com os acontecimentos da vida. Quando já adulto essa visão do mundo se cristaliza e o torna prisioneiro de uma concepção limitada e pessoal.  Aqui mora a causa da doença da humanidade, e para saná-la, precisamos nos reconectar com a natureza e estabelecer uma nova visão de mundo em harmonia com suas leis.

“O universo não é uma ideia minha
A minha ideia do universo é que é uma ideia minha
A noite não anoitece pelos meus olhos
A minha ideia da noite é que anoitece pelos meus olhos
Fora de eu pensar e de haver quaisquer pensamentos
A Noite acontece concretamente
E o fulgor das estrelas existe como se tivesse peso.” 
Fernando Pessoa

Fonte: Intertao – Instituto de Práticas Taoistas. Healing-Tao.com.br

Consciência de Si – do ser, viver e morrer.

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A morte é a curva da estrada. Morrer é só não ser visto…” Fernando Pessoa

Labirinto não é uma reta, mas uma espiral, plena de curvas. Às vezes, estamos tão próximos do centro… e a curva nos leva para longe. Às vezes, estamos tão distantes do centro e outra curva dele nos aproxima”. O processo de individuação, apontado por C.G. Jung como uma circunvolução em torno do Self.” Roberto Crema – Normose