Um Sol Coração

Onde a vida está? Onde tu és?

Tag: iniciação

Conto: “Agora, o que se inicia?”

Receber é um ato de entrega…

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Num breve momento comum, o buscador fez a pergunta:

– Mestre, quem és tu?

– “O próprio aprendiz.”

Silêncio no ar. E o mestre soprou:

– “Agora, escute aprendiz, tu és o próprio mestre.”

 

* Foto: Após ter um insight, ao olhar e ver o botão da impressora/fotocopiadora, resolvi fotografar “o ato de ligar” e acabei tendo a inspiração para escrever este pequeno diálogo à moda zen. 🤩🙌🌟

Silêncio são. Salva ação.

“Na humildade está a Grandeza e na Grandeza está o ser humilde.”

76 - O Dispensador

Misericórdia… por minha própria miséria…

Misericórdia… para que eu compreenda a miséria em mim…

Misericórdia… e assim compreendo a miséria humana…

 

“Saber aprender para ensinar e saber ensinar para aprender”. Saber entregar-se de coração em cada ação… É Amando que se recebe Amor…

 

* Imagem: Tarô Egípcio: Arcano 76 – O Dispensador (O Provedor)

“É o FINício…”

No fim, o princípio…

Ah! Sim… é um longo caminho, de passos únicos… dê passos certos… certos de sua escolha… e que venha a colheita…

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Alta estrada

Pousou e voou:

Um gavião…

De coração

De volta pra casa.

 

Ramo: Amor

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na coroa de espinhos, a sabedoria, a coroa de acácia…

da árvore sagrada, em si conquistada…

obstinado, com esforço árduo, amando…

a inocência resgatada…

 

“A Acácia é em si a Árvore da Vida. Suas flores cegam, suas sementes matam, as suas raízes curam. A semente é o veneno; a raiz o antídoto.”

“Experiência única” – Jean-Yves Leloup

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“Esta experiência é única.

Nela ocorre algo que nunca poderemos esquecer e que não poderemos também explicar.

Em um itinerário espiritual, deve-se fazer desta experiência uma oportunidade de iniciação.

Não a considerar como algo que jamais se reproduzirá ou como uma graça maravilhosa que queremos que se repita a todo instante.

Porque esta experiência é uma revelação de nossa natureza verdadeira.

São momentos em que, efetivamente, a paz dura um pouco mais e onde, no interior de nossa mente, o silêncio torna-se algo real.

É preciso acolher estes momentos gratificantes com gratidão, mas, ao mesmo tempo, não se apegar a eles e não os procurar.

Porque, se nós nos apegamos a estes momentos, se quisermos reencontrá-los sem cessar, em lugar de nos ajudarem a avançar, eles nos param, nos bloqueiam, fazendo-nos entrar em uma espécie de complacência com eles.

A vida, porém, é uma grande mestra e se encarrega de tirar nossas ilusões.

E o sinal de que a experiência luminosa realmente nos tocou é que não podemos mais viver da mesma maneira que antes.

Porque podemos ter tido experiências maravilhosas e magníficas, mas concretamente, em que elas mudaram as nossas vidas? O que mudou em nossa vida cotidiana? Dessa maneira, podemos ter necessidade de uma prática, de um método em nosso itinerário.

Ao final de um itinerário espiritual não sobra muito da imagem que se tinha de si mesmo no início do processo. É como se houvesse uma morte de si mesmo.

Mas esta morte não é o fim.

O que alguns chamam de morte da lagarta, outros chamam de nascimento da borboleta.”

Jean-Yves Leloup em Terapeutas do Deserto

“Poesia como inspiração da alma”

Poesia: (ποίησις gregas ‘ação, criação, adoção, fabricação, composição, poesia, poema’ <ποιέω ‘fazer, fabricação, gerares, dar à luz, obter, causa, criar’).poesia

Em seu dicionário de Filosofia, Ferrater Mora alude à definição de Platão segundo a qual a poesia é loucura, mas “loucura divina”. O poeta é, ou pode ser, “um ser com asas”, inspirado pela divindade. Assim, a capacidade de poetizar é realmente uma graça, um presente. Platão também fala de “poesia” como uma atividade criativa em geral. O termo “poiesis” significa “fazer”, em um sentido técnico, e refere-se a todo trabalho artesanal, incluindo aquele realizado por um artista. Tal artista é o criador, autor de ποιητής (poietés); fabricante, artesão; criador, legislador; poet ‘, entre as múltiplas traduções que a palavra concede. Consequentemente, «poiesis» é um termo que se refere à atividade criativa como uma atividade que dá existência a algo que até então não o possuía.
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Assim, a poesia é uma imitação, sempre entendida como participação no Verdadeiramente Real. A poesia pode ser com ela uma sabedoria representativa do intangível.

Quando o ser humano quer descobrir as leis da natureza, em sua ânsia de entender o mundo em que vive, ele investiga os fenômenos que ele observa através da ciência. Quando perguntado sobre o significado de sua vida e a razão de sua existência, ele elabora com seus conceitos e paradigmas de pensamento que o aproximam cada vez mais da filosofia. Mas quando ele descobre, você se pergunta, em si mesmo um princípio da eternidade, nem na filosofia nem na ciência ele encontra sua expressão mais precisa. Então ele recorre, quase sem remédio, à poesia. E isso te dá, se o destino te acompanhar, a possibilidade de conectar e tocar essa eternidade.

Diz-se que a Verdade, com letras maiúsculas, não pode ser escrita ou dita ou, consequentemente, ser traída. Ísis sempre permanece atrás de um véu. Os meios físicos disponíveis para o ser humano são insuficientes para abordá-lo. A razão enfraquece entre pares de opostos. Os sentidos têm seus próprios limites. Com a linguagem cotidiana dificilmente podemos nos comunicar e transmitir informações. No entanto, devemos estar preparados para compreender a verdade, para percebê-la. E esta preparação não é o conhecimento alcançado através do estudo e da aprendizagem, mas um Poder que é adquirido através do esforço pessoal, através da luta contra os obstáculos que surgem em si mesmo.

Nós vivemos para morrer E nesta vida a poesia não se encaixa. Nós crescemos, desenvolvemos habilidades, interagimos com nossos pares, buscamos nosso lugar no mundo e finalmente … nós desaparecemos.

Nós vivemos para alcançar a eternidade. Toda a nossa existência torna-se então uma busca, uma aspiração. A poesia se torna a linguagem que melhor expressa aquilo a que aspiramos. E há uma batalha interna entre a natureza do mundo que marca um caminho cujo fim já conhecemos e aquele princípio eterno em nós que luta para sair do seu esquecimento e recuperar seu reino.

Amado Nervo diz em seu poema intitulado Deidade:

Enquanto o brilho dorme no seixo 
e a estátua na lama, 
a divindade dorme em você. 
Somente em uma dor constante e forte 
para o choque, 
o raio da divindade brota da pedra inerte .

Não se queixe, portanto, do destino, 
pois o que em você é divino 
só surge através dele. 
Apoia, se possível, sorrindo, 
a vida que o artista está esculpindo, 
o duro choque do cinzel.

O que as horas ruins importam para você, 
se a cada hora em suas asas nascentes 
coloca mais uma bela pena? 
Você verá o condor em toda a altura, 
você verá a escultura terminada, 
você verá, alma, você verá …

Somente o Espírito é encontrado com o Espírito, seguindo o máximo hermético de “Se você não pode ser igual a Deus, você não será capaz de entendê-lo, porque somente o semelhante compreende coisas semelhantes” [1]. Aludindo à capacidade criativa que mencionamos antes de poesia, podemos dizer que é através de suas palavras como a alma se eleva em encontrar seu verdadeiro espaço e captura a evidência dos mundos a que o homem, em sua humanidade natural, não pode alcançar.

Como diz Rilke:
Eu vivo a vida em círculos crescentes 
que se espalham por todas as coisas. 
Talvez eu não consiga completar o último, 
mas vou tentar. 
Eu me viro para Deus, aquela torre imponente, ao 
longo dos milênios que viro. 
E eu ainda não sei o que sou: falcão ou vendaval, 
ou talvez eu seja uma ótima música.

 

[1] Copenhaver, Brian P., Corpus hermeticum y Asclepio, Madri, Siruela, 2000.

Artigo criado por: Paula Martínez Gallardo

Fonte: RosaCruzAurea.org/pt

“Iniciação” – Fernando Pessoa

Iniciação

Não dormes sob os ciprestes,

Pois não há sono no mundo.

……

O corpo é a sombra das vestes

Que encobrem teu ser profundo.

Vem a noite, que é a morte

E a sombra acabou sem ser.

Vais na noite só recorte,

Igual a ti sem querer.

Mas na Estalagem do Assombro

Tiram-te os Anjos a capa.

Segues sem capa no ombro,

Com o pouco que te tapa.

Então Arcanjos da Estrada

Despem-te e deixam-te nu.

Não tens vestes, não tens nada:

Tens só teu corpo, que és tu.

Por fim, na funda caverna,

Os Deuses despem-te mais.

Teu corpo cessa, alma externa,

Mas vês que são teus iguais.

……

A sombra das tuas vestes

Ficou entre nós na Sorte.

Não estás morto, entre ciprestes.

……

Neófito, não há morte.

O Despertar (A Iniciação)

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por vezes, a morte nos chama à vida.

e o vivo provoca a superação da morte.