Um Sol Coração

Onde a vida está? Onde tu és?

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“Paixão e Morte” – Gnosis Brasil

Qual o significado desse mistério de Paixão e Morte referente à Semana Santa?

O que é a Paixão referida aqui?

E o que é esta Morte assinalada nesse período?

Quem vive o Drama de paixão e morte? Somente Jesus? Ou todos nós também o vivemos em algum aspecto na nossa jornada espiritual?

Qual a razão de Jesus ter passado por todo esse Drama?

Qual o ensinamento silencioso que está sendo passado com todas as cenas que são mostradas nessa caminhada realizada por este grande Mestre?

Carregar uma Cruz? Qual o significado oculto por trás desta cena?

Ser humilhado pela multidão que pede a crucificação de uma pessoa que representa Deus?

Qual o sentido esotérico de tudo isso? Qual a mensagem passada para cada um de nós presente em todo esse drama?

Quando vemos Jesus levando a sua Cruz para ser crucificado vemos que nessa jornada está representado o Drama que devemos viver dentro de nosso mundo interior. Este grande Mestre está nos ensinando os passos de como realizar a obra espiritual.

Quando falamos de Jesus Cristo, cabe ressaltarmos que a palavra Cristo refere-se a uma força Divina. Esta força é a vida e a substância que anima tudo que há. É Deus dentro do homem. E essa força está latente dentro de cada um de nós esperando ser germinada.

Na história da humanidade existiram vários sábios que se integraram com esta força por meio de uma transformação e regeneração interior. E Jesus foi mais um desses grandes seres que atingiu a perfeição através de uma mudança de comportamento e regeneração interna, culminando o seu trabalho espiritual com a integração desta força Cristo dentro de si.

O Drama de paixão e morte é a representação da jornada espiritual que temos que percorrer para que também possamos nos integrar com esta força.

Ora, e como vamos realizar este Drama dentro de nós mesmos?

A Gnosis nos ensina que temos que eliminar de nosso interior todos os defeitos que temos. Os vários defeitos que possuímos nos faz pessoas inconstantes, egoístas, escravas de falsos conceitos e vítimas das circunstâncias. E é esse conjunto de defeitos presente em nosso interior que representa a “Paixão”, o Ego que carregamos dentro.

Esses defeitos são representados no Drama da Semana Santa pela multidão que pede a crucificação de Jesus. E assim acontece dentro de nós, pois os nossos defeitos pedem a crucificação de nosso Cristo Íntimo, da divindade que temos latente em nosso interior.

A “Morte” neste Drama significa o papel que temos de eliminar todos os defeitos psíquicos que temos para nos integramos com a Divindade que possuímos – o nosso real SER.

Drama este que temos que viver a cada dia, para buscar a real mudança dentro de nós. Dessa forma, aprendemos a não reagir e não nos identificar com os problemas diários.

Assim, fica claro porque Jesus levava a sua cruz sem reclamar e sem questionar diante aos insultos que eram direcionados a ele. Reclamar e esbravejar de tudo aquilo que sofremos seja por causa de uma situação financeira, familiar ou diante da ofensa vinda do outro, somente faz com que alimentemos os egos e assim os eventos voltam a ocorrer. Até que tiremos todo o sumo de aprendizado que tivermos que ter para nosso crescimento.

Semana Santa Gnosis Brasil

As recorrências nos afastam a possibilidade de morrer psicologicamente mais rapidamente. Ou seja, nos transformarmos em uma pessoa melhor fica cada vez mais difícil.

Devemos ficar irados porque nos tratam com ira? Ora, mas isso não serviria apenas para alimentarmos a nossa ira? Como queremos eliminar a ira agindo assim?

Devemos ficar impacientes porque nos tratam com impaciência? Que horrível seria se agíssemos de tal maneira. Como eliminaremos os defeitos que carregamos dentro se a cada instante damos alimento a eles? Vejamos na íntegra o trecho do livro “Morte na Cruz” do V.M. Lakhsmi esclarecendo pontos referente ao que foi dito:

“Quando o Mestre fez todo o percurso com sua Cruz nas costas, recebeu todos os atropelos contra sua dignidade humana e contra sua mensagem. As multidões o fizeram por ordem de Caifás.

Caifás era Sumo Sacerdote, símbolo da má vontade que Pilatos não quis conter e este, para justificar a morte do Mestre, perguntou às multidões o que preferiam, se a crucificação e morte de Jesus ou a crucificação e morte de Barrabás.

E as multidões gritavam referindo-se a Jesus: Crucifica! Crucifica!

Barrabás neste drama representa o Ego. Claramente as multidões sempre apoiam a existência do Ego e a morte do Cristo.

Como já dissemos, terminada esta viagem do Mestre com a Cruz e havendo recebido toda classe de vitupérios e maus tratos sem haver pronunciado uma palavra de protesto, este Homem ganhou o direito de morrer na Cruz.”

A princípio pode ser complexo para cada um de nós não reclamar e não reagir diante dos eventos da vida e aceitar a nossa crucificação, dissolvendo aquilo que somos hoje. Porém, o que nos levará a ter uma vida mais consciente e com mais harmonia?

Dar energia e importância para nossos defeitos ou dissolvê-los morrendo na Cruz?

Fica a reflexão com uma frase do mestre maior, Jesus Cristo: “Quem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me”. Que essas palavras sejam o nosso guia!

 

Fonte: GnosisBrasil.Com

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“Vai para ti mesmo” – Jean-Yves Leloup

Longo e profundo trecho do livro O Absurdo e a Graça, que reflete sobre os desertos e travessias na relação com o outro e sobre como amar este outro…

Por que os mortos são tão pesados para carregar?…
Porque eles têm o peso de todas as palavras que não puderam dizer.
Há silêncios pesados, silêncios que não têm fim: o deserto está entre nós… A distância que nos separa parece intransponível, não adianta gritar, nem explicar; ninguém nos responde. Estamos, no entanto, sentados à mesma mesa. Todavia, não existe mais comunhão. Dormimos na mesma cama, mas não dormimos mais nos mesmos sonhos; e cada manhã, colados um ao outro, nos encontramos cada vez mais afastados…

Entre nós há o deserto, e não é mais o belo silêncio de nossas noites estreladas, mas o frio, a ausência à flor da pele. As palavras que nos saem da boca são escorpiões mortais, e cada um envenena o outro com o veneno das suas acusações ou das suas justificações.

O que o deserto nos pode ensinar?
Que o outro é um outro e que, numa verdadeira relação, não se pode prescindir da diferenciação, quer essa diferenciação assuma as formas agressivas do conflito ou as formas mais capciosas do tédio – “o outro é um peso para mim”, resiste às nossas vontades de apropriação, não se deixa reduzir ao mesmo.

Ele não é eu. Ele pensa, vive e ama “de outro jeito”, e talvez seja esta revelação que o deserto nos traz, a revelação da alteridade – o outro irredutível às minhas vontades de prazer, de posses, carnais, afetivas , intelectuais.

O deserto é um lugar de diferenciação. Não posso decepcionar-me, a não ser à medida das minhas expectativas. Eu esperava que o outro correspondesse a uma certa imagem de homem, de mulher, de casal etc, imagem herdada de nossos pais e da sociedade. Eu amava “uma outra metade”, a metade que me faltava, sem dúvida.. Na verdade eu só me amava a mim mesmo, e agora descubro um outro que, na sua alteridade, não está mais aí para preencher as minhas carências, “tapar meu buraco”.

Ele é bastante ele mesmo ou talvez me ame bastante para me decepcionar, para não me responder como um espelho ou como um conjunto de complacências capaz de me encerrar em minhas reivindicações e frustrações infantis.
Eu me encontro, então, com “um outro inteiro”, que me força ou me convoca para a minha própria inteireza, essa inteireza que jamais se pavoneará como algo totalmente “acabado”, que sempre guardará uma sede para acolher o outro, mas não irá mais impor suas carências nem culpabilizará o outro por não preenchê-las tampouco.

A prova do deserto entre dois seres humanos conduz ao oásis de um verdadeiro encontro, encontro de duas liberdades que, além das regressões fusionais e dos impasses da separação, descobrem que são capazes de Aliança.

Mas nem todos tem a coragem de atravessar o deserto. Aos primeiros sinais do esfriamento da pulsão, às primeiras afirmações das suas diferenças, irredutíveis, ou quando começa a fase da monotonia, o tédio do dia-a-dia, os dois reclamam: ”Não te amo mais”, e vão procurar, alhures, recomeçar a mesma história, beber na mesma miragem, justamente no instante em que a verdadeira fonte não estava longe, quando chega ao fim esse silêncio, essa incompreensão, quando se perdoa o outro por ser um outro e onde enfim se vai talvez poder amá-lo e cantá-lo na sua diferença.

Existem os desertos de areia e há também os desertos da ampulheta, o tempo da paciência, instante após instante, descobrir o milagre que fundamenta a nossa aliança.

E esse deserto, o que é que nos ensina? Ensina o não apego, a des-apropriação do outro. Amar uma pessoa é renunciar a possuí-la, a fazer dela uma propriedade. Nessa renúncia nos é dada a alegria de ser, de ser-com, sem expectativas, sem cobranças, não, porém, sem lucidez, rigor e ternura.

“Vai para ti mesmo”, dizia a bem-amada ao bem-amado, no Cântico dos cânticos. Vai para o teu deserto, como vou também eu para o meu, lá, dando a volta às dunas, iremos encontrar o oásis, onde, libertados das nossas sedes, seremos o poço que aflora um para o outro.
Há também, no coração da relação, o deserto do luto, luto físico ou afetivo – “falte-vos um só ser, e tudo estará despovoado”; falte-vos um só ser, e o mundo é um deserto.

Quando se volta para a casa vazia os corredores parecem não ter fim, e o quarto que ressoava com nossas risadas ou nossas discussões, tem silêncios hostis – “e aquele dos dois que resta, se encontra no inferno…. Aí também precisamos aprender que o outro não nos pertence, mas antes de poder dizer-lhe ainda “vai para ti mesmo”, “vai para a tua luz”, novamente há um longo deserto a atravessar.

O que nos ensinará a morte, senão aquilo que já aprendemos com a solidão? Saber que não existe para ninguém, não ser mais nada, ser apenas um grão de poeira no areal do tempo.

E aí posso ser também tentado por miragens, tentar comunicar-me com os mortos, “trans-comunicação”, mesas que giram, escritas automáticas, tudo isso, poderia, talvez, proporcionar-me algum consolo. Consolo menor, porém, que o da minha solidão aceita, assumida, pois nessa solidão se descobre talvez o maior milagre de uma aliança.
Assim não é necessárias que eu lamente a bondade mas preciso vivê-las ainda mais. Não me deixo mais levar pelas asas da sua presença que se desvaneceu, mas estou cada vez mais presente à terra e à vida que guarda as marcas de seu percurso, da nossa passagem comum.

Amar o outro é renunciar a possuí-lo, mesmo morto. É renunciar a que volte, descobrir que ele está sempre aí, em seu silêncio que não nos mete mais medo, em um deserto que se faz hospitaleiro para acolher tudo aquilo que temos de mais precioso, o essencial que nos resta quando nada mais nos resta.

Fonte: Ventos de Paz

O que falar da morte? – Rubem Alves

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“O que falar da morte?”

As Sagradas Escrituras sugerem que o silêncio é a palavra mais significativa que se pode falar diante da morte. Porque no silêncio não dizemos nada. O silêncio é como uma taça vazia que, por ser vazia, permite que a pessoa que está sofrendo recolha nela todas as suas lágrimas, que nós não conhecemos.

 

“Me ajuda…”

Foi-me relatado por um amigo médico. Ele estava ao lado de um menino, onze anos, segurava suas mãos. O menino estava morrendo. O menino olhou para ele, apertou sua mão e disse: “Tio, como é difícil morrer! Me ajuda a morrer…”.

 

Trecho do livro (e-book) Ostra Feliz Não Faz Pérola – Rubem Alves

“Pensamentos da hora da morte” – Rubem Alves

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Tive uma amiga, professora da Universidade de Birmingham, na Inglaterra, que adorava escalar montanhas. Por que escalar uma montanha? Ela respondia: “Porque ela está lá…”. Cada pico coberto de neve lhe era um desafio irresistível!

Pois ela me contou o seguinte: ela e um grupo de amigos escalavam uma montanha gelada, se não me engano no Peru ou no Equador. Os membros do grupo, por segurança, estavam todos amarrados uns nos outros. De repente, um deles escorregou e começou a deslizar encosta abaixo. Os outros foram arrastados com ele. Os alpinistas levam uma mini-picareta amarrada ao pulso. Enquanto ela deslizava montanha abaixo, possivelmente para a morte, não pensou sobre a morte. Não sentiu terror. Começou a pensar irrelevâncias. Seus braços jogados para cima, a picareta pulava de um lado para o outro acima da sua cabeça. E o que ela pensou foi: “Como são perigosas essas picaretas! É preciso fazer algo para diminuir o seu perigo!”. Quatro dos seus amigos morreram. Ela sobreviveu.

Pois algo parecido aconteceu com meu querido amigo Carlos Rodrigues Brandão, que não morreu por pouco. Viajava de ônibus para uma pequena cidade do Triângulo Mineiro. O ônibus se chocou com um caminhão. Ele foi projetado contra o banco da frente e teve vários ossos do rosto fraturados. Sentiu-se sem movimentos e sem sensibilidade no corpo. Imaginou que a medula havia se rompido. O sangue jorrava e escorria pelo rosto. Pensou que iria morrer. Então rezou agradecendo a vida que estava por terminar. Mas repentinamente lhe veio um pensamento: “O Rubem planta uma árvore no seu sítio para cada amigo que morre. E eu não lhe disse qual a árvore que quero que plante para mim. Como é que ele vai fazer? Deveria ter-lhe dito que eu quero que plante uma paineira branca…”.

O Brandão está bem, boca amarrada, comendo por um canudo, chupando sopa fazendo barulho… Já ganhei uma muda de paineira branca, linda e rara. Acho que não vai fazer mal plantá-la agora. A minha árvore já está plantada, com mais de três metros de altura…

 

Trecho do livro (e-book) Ostra Feliz Não Faz Pérola – Rubem Alves

“Sobre a vida e a morte” – Rubem Alves

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Sobre a vida e a morte

Somente aqueles que se tornam discípulos da morte sentem a doçura da vida.

Quem não é discípulo da morte fica sempre achando que ainda há muito tempo e, com isso, não se dá conta dos morangos que há à beira do abismo.

Ele pensa que há um lugar onde se chegar. Não há.

Todos os caminhos levam ao mesmo fim.

Na vida só há o caminho…

 

Trecho do livro (e-book) Ostra Feliz Não Faz Pérola – Rubem Alves

“Sonho” – Rubem Alves

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Sonho

Ela estava com câncer. Sabia que iria morrer. Mas não queria morrer. Era muito cedo. Havia muita coisa a ser vivida. Então, teve um sonho. Era um jantar, muitos amigos reunidos, comendo.

Aí um garçom dirigiu-se a ela e segurou a borda do seu prato para tirá-lo. Mas ela não terminara ainda! A comida estava gostosa. Seu prato estava cheio. Segurou então o prato para impedir que o garçom o levasse.

Ela queria comer tudo o que estava no seu prato, até o fim. Houve um momento imóvel: o garçom, decidido a levar seu prato, e ela, decidida a não deixar que ele o fizesse. Passados alguns segundos nesse impasse, ela olhou para o garçom, sorriu, largou o prato e disse: “Pode levá-lo…”.

 

Trecho do livro (e-book) Ostra Feliz Não Faz Pérola – Rubem Alves

A M O – R – T E

Aprove a vida. Lembre-se de que você é mortal. Aproveite o dia. Há provação. Prove-se. Prove… Que a vida é… Prova de amor.

a cada morte…

…amor te amo

por toda vida…

…amor te amo

renascemos, viva!

…amor te amo

 

* Hoje pela manhã, minha filha de 7 anos, me disse: “Hoje é o melhor dia da minha vida”. E eu comentei: “Isso mesmo. Todo dia tem que ser o melhor dia da sua vida”. E a pequena gigante concluiu: “Eh! Hoje e sempre…”.

É Presente… Hoje e Sempre.

Onde você mora, mora amor em você.

A morte é passagem para outro nascimento… Amor é passagem para renascimentos…

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“Amor que não se pede.

Amor que não se mede.

Que não se repete. Amor…”

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Depois de nascermos, incontáveis vezes renascemos… Até realizarmos a passagem para outro nascimento…

 

* Trecho da canção “Onde você mora?” – Cidade Negra.

A morte? Amar-te.

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Vem ser amor.

Vencer a morte.

Vem sendo…

 

* Mandala: “Om Mani Padme Hum”, que desenhei em 06/04/19.

PraticaMente

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“Uma boa prática consiste em perguntares a ti mesmo com toda a sinceridade: “Porque nasci?” Faz a ti mesmo esta pergunta três vezes por dia, de manhã, à tarde e à noite. Interroga-te diariamente.

O Buda disse ao seu discípulo Ananda para ver a impermanência, para ver a morte em cada respiração. Temos de conhecer a morte; temos de morrer para viver. O que significa isso? Morrer é chegar ao fim de todas as nossas dúvidas, de todas as nossas questões, e limitarmo-nos a estar aqui com a realidade presente. Não se pode morrer amanhã, tem de se morrer agora. És capaz disso? Ah, que tranquila, a paz que acompanha o fim das perguntas.”

Achaan Chah – “Uma Lagoa Tranquila na Floresta”

 

Fonte: Sabor a Zen