Um Sol Coração

Onde a vida está? Onde tu és?

Tag: yin yang

Buscador.

Buscador… Iluminador… Cura dor…

Preta e branca, branca e preta. Da lagarta ao casulo, do casulo a borboleta. Transparecendo aquela Consciência em autoconsciência.

 

Buscando encontrar. Encontrando a busca.

Encontrando ao se buscar. Encontrando-se na busca.

Perdido em pensamentos. Encontrado em silêncio.

Círculo dá Vida

“Sua origem é também sua missão. A origem é também o destino, desde o princípio.”

Por vital princípio, a vida é ao todo o centro.. e meio que dá a vida, dá fim ao princípio vitalício. Somos a vida, dando vida a vida… Por vidas e vidas, a vida inteira…

Lar anelar… Círculo a circundar… Neste sistema circulatório… Dentro da abóbada realizando o circuíto… Nas curvas do caminho… Estamos num rodeio, em rodopios, dando voltas, em órbita… Em altos e baixos, girando a roda, rolando a bola, tocando o disco, jogando a argola… Na esfera viajando… No circo revisitando… Disparando com o arco rumo ao ponto central, passo a passo pelo compasso… Ciclicamente a zerar… Anelando o olho da criação circular…

Viva! É partida e chegada.

Dando fim. Enfim, dando finalidade.

Resultado de imagem para impermanencia

vem e vai

contínua vida

vai e volta

contínuo amor

ir e vir

continuamente

 

Nascendo e morrendo, sendo… Estados de ser…

Hora isso, hora aquilo. Ora sempre.

Espiritualidade com ciência. Autoconhecimento e consciência.

Hora certeza, hora incerteza… Ora correnteza.

Discerne… nem céu nem inferno, mas cerne.

 

“Não se pode chegar à alvorada a não ser pelo caminho da noite.” Khalil Gibran

Adentro a selva interior.

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Azul no olhar.

Preto e Branco:

Corpo na alma.

O céu nos olhos da fera.

tigre-branco1

 

…Ora por Ora…

Lugar certo é onde a sua presença está…

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Das pedras, a bruta.

Da bruta, a preciosa.

 

Que o coração endurecido… Encoberto por pedras… Possa revelar seu brilho e preciosidade… Hora racha, hora rocha, hora esfarela, hora rola… Abrindo a mente, afinando a atenção, refinando os sentimentos, agindo em sintonia com  consciência, na mais curativa vibração… Lapidando-se até encontrar o ponto central, o espaço aberto, o sol interior, a fonte renascente do céu coração…

 

Foto: “Caminho Zen” –  HW Kateley

A menina e a pantera negra – Rubem Alves

É uma (longa) história infantojuvenil que trata da reconciliação dos opostos. Mas vale a leveza da pena…

“A menina abriu a janela (seu nome era Bianca) e ela estava lá, deitada à sombra da figueira secular: uma pantera negra. Quieta, absolutamente tranquila, pelo reluzente. Apenas a cauda se mexia ritmicamente.

Seus olhos, profundos e terríveis, olharam a menina. E foi então que o felino a chamou pelo nome: Bianca…

Havia quase ternura em sua voz, mas a menina, aterrorizada, fugiu. Não tanto por medo da pantera, mas por medo do seu chamado. Bianca… Era como se ela já a conhecesse de longa data e estivesse voltando para um reencontro.

A menina correu para o pai. Para quem mais correria, num momento como esse?

– Papai, eu vi uma pantera negra. Deitada debaixo da figueira. E me chamou pelo nome…

Havia muito medo em sua voz. Seu pai não se assustou. Sabia que as panteras negras não aparecem assim, no quintal das casas. Panteras são animais que vivem longe, muito longe, nas matas.

– Acho que você teve um pesadelo, minha filha. Não há panteras negras por aqui. Sonho ruim na hora de acordar…

– Não, não – disse ela. Sei que não foi. Por favor, venha! – e puxou o pai pela mão.

Ele a acompanhou até a janela do quarto, para tranquilizá-la. E, de fato, nada havia sob a figueira. Estava como sempre…

– Eu não lhe disse? Não há panteras por aqui – Sua voz era sábia e tranquila. Tudo voltou ao normal. Bianca acreditou que tudo não passara de uma visão. Algumas pessoas vêem santos dos céus, e são beatificadas. Outras vêem feras selvagens das florestas e são aterrorizadas. Mas ela não conseguiu esquecer a forma como a chamara: Bianca…

No dia seguinte, já se esquecera de tudo. E, como sempre, abriu a janela que dava para a figueira. E lá estava de novo.

– Bianca… – repetiu, desta vez com um pouco mais de força. A menina correu para o pai.

– Venha, venha depressa…

Desta vez, ela não fugiu. Ficou lá, tranquilamente. O pai correu para o seu rifle, mirou a pantera e atirou. Mas nada aconteceu…

A pantera levantou-se, sem pressa, e retirou-se vagarosamente, movimentando a cauda.

– Faremos tudo para espantar esse animal que está assustando minha filha. E assim penduraram nas árvores e cercas guizos, sinos e latas, pois animais da selva se assustam com ruídos diferentes. Acenderam fogueiras ao redor da casa, pois eles temem o fogo. E encheram o quintal de pessoas, já que eles fogem dos homens (por horror ao cheiro doméstico).

Era uma complexa rede de defesas, montada para afugentar a pantera que assustara a criança com seu chamado. – Bianca… – A pantera desapareceu. Não mais aparecia sob a figueira, pelas manhãs. Durante todo o dia, era como se não existisse. Mas logo que caía a noite os seus rugidos começavam a ser ouvidos, e ora pareciam ferozes, ora tristes, como se lamentassem algo.

Por vezes ouviam-se ruídos nas portas, patas arranhando, e pela manhã sinais de garras podiam ser vistos na madeira. Se algo assim acontecia durante a noite, e o pai de rifle em punho abria a porta, pronto para atirar e matar, não se via coisa alguma.

Lá fora tudo estava tranqüilo, as sombras das árvores, o ruído do vento. Depois de muito tempo, convenceram-se de que a pantera negra deveria ser um ser mágico, que nenhuma bala poderia matar e nenhuma armadilha prender.

Acontece que por ali havia um sábio (muitos o consideravam feiticeiro), conhecedor das coisas misteriosas do dia e da noite, da vida e da morte. E resolveram consultá-lo.

– Entendo o seu medo – disse ele a Bianca – Tudo o que se desconhece é terrível. E de forma especial a pantera negra. Por um lado, é tão linda e segura de si, pelo macio e brilhante, que seria bom agradar. Mas é também coisa selvagem, que ataca de repente, filha da noite, carregando a morte nos dentes e garras.

– Que devemos fazer para nos livrar dela? – perguntou o pai de Bianca, ansioso por uma receita.

– Nada – respondeu o sábio. As panteras só conseguem falar quando estão amando. Ela está amando você, Bianca. E não a abandonará por nada neste mundo. Ela a escolheu. Agora é sua.

– Mas não a quero – disse a menina em desespero. Que é que posso fazer com uma pantera? Desejo mesmo é me livrar dela.

– Isto é impossível, respondeu o feiticeiro. Você só tem duas alternativas: ou a deixa de fora, e ela continuará a assombrar o seu sono durante a noite, ou você deixa que ela entre, e ela se tornará sua amiga…

– Mas como posso fazer isso? – perguntou Bianca.

– É simples. As panteras selvagens são domadas quando aprendemos a dizer seu nome. Descubra o seu nome e chame-o durante a noite. Ela virá…

– Mas como descobrir o nome da pantera? –perguntou Bianca.

– Isto eu não sei – respondeu o sábio. Você terá de descobrir por conta própria…

Com estas palavras, deu por encerrada a conversa. Bianca e seu pai voltaram perplexos para casa. Parecia coisa impossível e louca a tarefa que o sábio lhes dera: descobrir o nome da pantera. Consultaram domadores de animais, escreveram para jardins zoológicos, examinaram livros especializados, colecionaram dezenas de nomes. Tudo em vão. A pantera não atendia.

– É porque nenhum destes é o nome da pantera – disse-lhes o sábio, numa outra ocasião. São os nomes que os homens lhe deram. É preciso aprender o nome dela, que mora no seu corpo…

Naquela noite Bianca sonhou. A pantera estava lá, debaixo da figueira. Olhava para a menina e lhe dizia:

– Meu nome é o inverso do seu… E desapareceu.

Esta, pelo menos, era uma pista: o inverso do nome de Bianca. Brincou de inverter as letras, para ver se significavam algo. Leu o seu nome refletido no espelho. Investigou as razões pelas quais lhe haviam dado este nome.

– É porque você, ao nascer, era branca, muito branca, como a Branca de Neve. E assim, a batizamos de Bianca.

Mas tudo era inútil. O enigma continuava.

– Meu nome é o inverso do seu…

Aconteceu, entretanto, que houve uma noite em que Bianca e seu pai olhavam velhos retratos. Em um envelope estavam os negativos. Bianca tomou um deles e observou contra a luz. Era ela, não havia dúvidas.

– Que gozado, papai – disse ela. No negativo meu rosto está preto. É o inverso…

Subitamente ela parou, olhando no vazio, como se houvesse viso algo inesperado. E gritou:

– É isto, o inverso… O negativo é o inverso. O inverso do meu nome – Bianca, branca, é negro. O nome da pantera deve ser Negra, o meu lado noturno. Não é assim? Luz e escuridão, dia e noite, Bianca e Negra…

Exultante, num misto de alegria e medo correu para a porta, abriu-a para as sombras das árvores e o ruído do vento e disse:

– Negra, Negra…

Ouviu-se um leve barulho nas folhas do jardim e a pantera Negra se aproximou, tranquila como sempre. Lambeu as mãos da menina e deitou aos seus pés. E quando Bianca acariciou o pelo negro da pantera adormecida sentiu uma enorme sensação de felicidade. Nunca mais teria medo. Quem tem a pantera Negra como amiga não precisa temer mais nada.”

Comentários e explicações do autor:

Uma menina me pediu que lhe interpretasse um sonho: vira uma pantera negra dentro de casa e estava com medo.

Pude escrever a história porque eu também vira a mesma pantera e também tivera medo.

Todos, se prestarem atenção e houver bastante silêncio, pelas noites, ouvirão os seus rugidos discretos e sentirão um calafrio pela espinha.

Ela mora em nosso mundo interior e frequenta as nossas sombras. É o nosso lado negro.

Os seus nomes são muitos, há um tempo fascinantes e amedrontadores.

Porque a Pantera Negra é bela e terrível… mas há também a menina, Bianca, luminosa, diurna, sem sombras…

A Pantera Negra, sem a Menina, é selvagem e mortal.

A Menina, sem a Pantera, é fraca e ingênua.

É preciso que se tornem amigas.

Reconciliação dos opostos: O Branco e o Negro, o Amor e a Força, a Vida e a Morte, Yin e Yang.

Ser Florescência

É com paixão e compaixão… “Saber sofrer, saber calar… Saber se abster, saber morrer”… Ser mago… Ser é pura magia…

A inspiradora parábola das flores sem perfume

Somos flores… A crescer, desabrochar e perfumar…

Mas para vir a exalar o ar da graça… Ver se desvendando… Realizar-se nesta graça…

A existência nos provoca, nos convida, nos testa, nos desafia…

A conhecer a própria natureza, a investigar os mistérios e leis da vida…

Possibilitando por experiência e transformação… Desdobrar todas as pétalas… Até então, não reconhecidas…

Está na cara, de corpo e alma… Que é perene impermanência…

Não se descobre e libera o essencial sem metamorfose, sem a florescência…

Exalar o perfume interior, realizar-se flor de amor… É em si uma alquimia…

Recebe-se a vida… logo, um propósito, uma missão implícita… A jornada, o mito, a saga é descobrir-se o sentido da vida… Devolvendo o que se recebeu… Dando a vida à vida…

A condição é tornar-se incondicional…

Mandálico Ser

Oração… Unir-se ao coração.

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Entoar mantras… Vibrar harmonizando chakras, conduzindo ao estado de meditação…

A atenção continuada, a plena presença, o estado desperto, meditativo, a fluida e consciente respiração… une o princípio (inspiração) ao fim (expiração), sendo inteiramente o meio (contemplação)… em meio a tudo e todos: todo silêncio… frescor de compaixão…

Um som, o silêncio, a respiração… Realizar a União… de Coração e Mente, Corpo e Alma… Num só Espírito, Um-Todo Caminho, uma Consciência em si Universal…

 

* Imagem: “Mandala de Mantra Yin Yang”

Em paz, entregue.

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Qual é o sentido?

“O sentido é… daqui para frente, de agora em diante, em si para sempre.”

E o que foi?

“Será, se ainda é…”