Um Sol Coração

Onde a vida está? Onde tu és?

Tag: zen budismo

Palavras do Silêncio

“Sua casa é onde estão seus pensamentos.”

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“Não fale, a menos que possa melhorar o silêncio.”

“Toda viagem de mil quilômetros começa com o primeiro passo.”

“Se cometer um erro, é melhor rir imediatamente.”

“A vontade de se render será muito mais forte logo antes da vitória.”

“O segredo da vida é morrer jovem, mas o mais tarde possível.”

“O que determina o estado de felicidade ou infelicidade de cada pessoa não é o evento em si, mas o que o evento significa para essa pessoa.”

“Assim como os pais cuidam de seus filhos, você deveria levar em conta todo o universo.”

“É melhor ser uma pessoa por um dia, do que uma sombra por mil.”

“Não há amigos sem defeitos; se os procurar, ficará sem amigos.”

“Não se preocupe se não souber algo, preocupe-se se não quiser aprender.”

“O que podemos mudar são nossas percepções, as quais têm o efeito de mudar tudo.”

“Não tenha medo de demorar; tenha medo de parar”. Ou melhor, se encoraje, continue em frente…

“Sorrir. Respirar. Ir devagar.”

“Olhe e veja com seus próprios olhos. Se hesitar, errará definitivamente o alvo.”

“Quando estiver caminhando, caminhe. Quando estiver sentado, esteja sentado. Mas não vacile!”

“Nós temos mais possibilidades disponíveis a cada momento do que imaginamos.” Thich Nhat Hanh

“A onda e o mar são um só.”

 

* O Baralho Zen – Timothy Freke

“Arte de Morrer” – Despedida

(…) “Cito abaixo alguns trechos das palavras de despedida de Buda.

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A mente desonesta é incompatível com o Caminho.  Por esta razão  devem cultivar a honestidade.

A pessoa de muitos desejos, que procura grandiosidade apenas para si mesma, sofre muito.

Uma pessoa de poucos desejos  não manipula a mente dos outros através da desonestidade. A mente de quem tem poucos desejos é tranquila e sem preocupações.

Para se libertar de todo o sofrimento é preciso conhecer o contentamento.  O contentamento é a condição da prosperidade e do bem estar.

Sintam prazer na quietude e na tranquilidade. As pessoas ávidas por companhia sofrem dificuldades por excesso de companhia, assim como uma árvore corre o risco de murchar se muitos pássaros viverem nela.

Mantenham o esforço correto, a diligência, assim como o constante gotejar da água fura uma rocha.

Não percam a atenção correta ao procurar por um mestre ou um amigo.  Se perderem a atenção correta, as paixões poderão entrar e perderão todos os méritos.

A mente devem estar concentrada, capaz de compreender o surgir e o desaparecer de todas as coisas no mundo.

Se tiverem sabedoria não terão ganância.  Se possuírem o brilho da sabedoria poderão ver claramente, com seus próprios olhos.

Se quiserem obter a benção de Nirvana (paz), devem extinguir o mal de falar à toa.  Não se engajem de forma leviana em conversas inúteis.

Este é o ensinamento final.

Não se lamentem.  Não existe encontro sem despedida.

Façam da Verdade o seu mestre e eu viverei para sempre.

 

Hoje (15 de fevereiro), ao celebrar o Parinirvana de Buda deixo a vocês as seguintes questões:

Se você soubesse que iria morrer em algumas horas, estivesse em plena lucidez e cercada/cercado de seus filhos, netos, amigos, alunos, discípulos, parentes, pessoas amadas, colaboradores, o que diria a eles?

Qual é o seu ensinamento final?

Qual a mensagem de sua vida?

Reflita em si mesmo.

 

Meu ensinamento final:

Entregue-se a vida. Aceite a vida.

E aceite a sua vida entregando-se a mudança.

Aceite a mudança. A mudança é vida.

A mensagem da minha vida:

Mais importante do que continuar até o fim, é recomeçar quantas vezes for preciso. E assim, dar fim, renovando em si o princípio.

AnowA (03/04/2019, quarta-feira, às 17:52)

 

* Trecho do texto Arte de morrer – Budismo – Zen budismo por Monja Coen.

“Arte de Morrer”

(…) “É preciso terminar bem o livro desta vida. Livro com prefácio, vários capítulos e um final. Esse final é um outro começo, de outro livro, com outro título e outras inúmeras possibilidades.

Não é o mesmo livro, nem o mesmo personagem, mas outro livro.

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Como ondas no mar.

Tudo é o oceano, que recebeu águas de inúmeros rios. Causas e condições formam ondas. Cada onda como se fosse uma existência. Cada uma interdepende da outra, mas não é a outra. Interligadas e ao mesmo tempo únicas. Transformando-se a todo instante. As causas e condições de uma onda se tornam efeitos em outras e assim por diante.

Mas cada uma tem começo, meio e fim.”

 

* Trecho do texto Arte de morrer – Budismo – Zen budismo por Monja Coen.

Sobre o caminho.

“Há um complexo e árduo caminho que vai do eu ao si-mesmo”. Simplesmente aqui-agora.

Abordando a perspectiva do zen budismo sobre a questão de Deus, Suzuki assinala que essa tradição não nega nem afirma Deus, nem se apega a qualquer entrave dogmático da teia religiosa. O horizonte de sua busca envolve a ultrapassagem de toda lógica, na busca de uma afirmação mais profunda. Para que isso ocorra é necessário ter a mente livre e desobstruída, também com respeito às idéias de totalidade ou unidade. O que ocorre é um misticismo peculiar, a seu “próprio modo”.

Como assinala Suzuki, o zen “é místico no sentido de que o sol brilha, que uma flor desabrocha”. Trata-se de uma mística que “treina sistematicamente o pensamento para ver isso. Abre os olhos do homem para o grande mistério que diariamente é representado. Alarga o coração para que ele abranja a eternidade do tempo e o infinito do espaço em cada palpitação e faz-nos viver no mundo como se estivéssemos andando no Jardim do Éden”. Na perspectiva do zen,  a verdade está bem próxima do cotidiano, basta saber ver. Não é necessário perder-se em “abstrações verbais e sutilezas metafísicas” para alcançar o seu significado. A verdade “se acha realmente nas coisas concretas de nossa vida diária”.

O que ocorre com o zen budismo é a busca de uma liberdade absoluta, mesmo com respeito a Deus. O que predomina e determina a reflexão é a consciência de que nada permanece de forma duradoura. Não há lugar para apegos, representações ou figuras de retórica. Os nomes são todos imperfeitos e limitados. Rejeita-se mesmo o apego a Buda, como sinalizado na conhecida expressão: “Se encontrares o Buda, mate-o”.

* Fonte: MonjaCoen.com.br

“Uma criança é pura atenção.”

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“Havia uma árvore que virou barco que se tornou mesa, banco e depois foi queimada para aquecer, cozinhar, alimentar, dar vida. Vida sempre produz vida. Cinzas não voltam a ser brasa, mas retornam à santa terra imaculada e se misturam com restos de gente, de porcos, de peixes, de árvores, de agentes químicos, de ferro, de plástico. Misturando-se e virando pó, terra, que fertiliza a planta que alimenta a vida que retorna à terra para alimentar a vida.
Não há nascimento, não há morte.
Esse o ensinamento supremo da Mahayana.
Você percebe?”

Monja Coen

“Cada fenômeno não existe separado do todo.
Cada fenômeno é único, está em constante mudança e não se repete jamais.
Um fenômeno não é parte do todo.
Um fenômeno é o todo manifesto.
A interconexão de todos os fenômenos é o todo manifesto.
O surgir e desaparecer de um fenômeno é o todo manifesto.
Entende-se o todo como ABSOLUTO.
Entende-se um fenômeno como RELATIVO.
Não há nada fora de lugar.
Nada puro ou impuro.
No aqui-agora, é como é.”

Shojun Nilton Jurandir Dias

 

* Fonte: MonjaCoen.com.br

Conto Zen Budista

Há uma história indiana de um homem que era ateu e agnóstico, um raríssimo tipo de postura na Índia. Ele era uma pessoa que desejava livrar-se de todas as formas de ritos religiosos, deixando apenas a essência da direta experiência da Verdade.

Ele atraiu discípulos que costumavam se reunir ao seu redor toda semana, quando ele falava a todos sobre seus princípios.

Após algum tempo, eles começaram a se juntar antes do mestre aparecer, porque eles gostavam de estar em grupo e cantar juntos.

Eventualmente foi construída uma casa para as reuniões, com uma sala especial para o mestre agnóstico. Após sua morte, tornou-se uma prática entre seus seguidores fazer uma reverência respeitosa para a agora sala vazia, antes de se entrar no salão. Em uma mesa especial a imagem do mestre era mostrada em uma moldura de ouro, e as pessoas deixavam flores e incenso lá, em respeito ao mestre.

Em poucos anos uma religião tinha crescido em torno daquele homem, que em vida não praticava nada disso, e que, ao contrário, sempre disse aos seus seguidores que ficar preso a estas práticas levava frequentemente a pessoa a se iludir no caminho da Verdade.

Assim ele dizia:

Tenhais confiança não no mestre, mas no ensinamento.

Tenhais confiança não no ensinamento, mas no espírito das palavras.

Tenhais confiança não na teoria, mas na experiência.

Não creiais em algo simplesmente porque vós ouvistes.

Não creiais nas tradições simplesmente porque elas têm sido mantidas de geração para geração.

Não creiais em algo simplesmente porque foi falado e comentado por muitos.

Não creiais em algo simplesmente porque está escrito em livros sagrados; não creiais no que imaginais, pensando que um Deus vos inspirou.

Não creiais em algo meramente baseado na autoridade de seus mestres e anciãos.

Mas após contemplação e reflexão, quando vós percebeis que algo é conforme ao que é razoável e leva ao que é bom e benéfico tanto para vós quanto para os outros, então o aceiteis e façais disto a base de sua vida.

“Haicai – Um Olhar Zen”

“Estrada de bambus
Ano novo chegando
Velho caminho”

“O Zen fez nascer em mim um olhar mais detalhista, às vezes minimalista, praticar o Haicai me mantém em plena atenção, percepção de tudo, de todos, do nada…”

“Brisa úmida
surpresa no fim da trilha.
Tesouro oculto.”

De origem japonesa, o Haiku (também conhecido como hokku, haikai ou Haicai) é uma breve composição poética, que tem raízes nas profundas relações do homem com a natureza. Esta arte obedece a uma forma estrutural de 17 sílabas ou fonemas, distribuídos em 3 versos. O fundamento filosófico do haiku possui bases budistas, conceituando que neste mundo em que estamos tudo é transitório, somos parte da natureza sujeitos e feitos de mudanças contínuas assim como as estações (outono, inverno, primavera, verão).

Ao amigo Monge Genshô

“Procurando a luz,
na madrugada de inverno.
Seguir no caminho.”

Raiz do Haicai – Nascido no séc. XVII, como (松尾金作) Matsuo Kinsaku (1644-1694), mas conhecido popularmente por Matsuo Bashô, possuía ligação intrínseca com o zen-budismo e sua busca pela iluminação. A visão de Bashô nos leva a conhecer o mundo por outro prisma, uma ótica fincada no desapego e na transitoriedade do ser.
Bashô sempre deixava fluir uma pitada de filosofia Zen Budista em suas obras, tornou-se a maior referência da poesia japonesa, sua sensibilidade emergia das profundezas do vazio, brotando forte e vigorosa.
Sua visão de mundo até hoje inspira milhões, o mestre andarilho foi metafórico em suas obras, mas não o suficiente para tirar a leveza do zen, talvez no dia que resolveu descansar em sua cabana, escolheu uma agraciada com a vizinhança de uma bananeira, a lenda fez o nome, e Bashô (Bananeira em japonês), passou a ser seu pseudônimo.
O haicai nasce da prática, da observação do que não é observado, e esta é a matriz deste fenômeno da poesia oriental.

“Lanternas de bambu
enfeitam o caminho.
Manhã nublada.”

“Olho para trás,
presente já é passado.
Folhas secas do zen.”

 

* Fonte: Blog HaicaiZen. Autoria de Fábio Azevedo (Hyaku Ryuu Kei)

“Nada ter para dizer”

“O homem perfeito usa a sua mente como um espelho. Ela nada aprisiona e nada recusa. Recebe mas não conserva”. Chuang-Tzu

O ego pode ser entendido como “o processo consciente de pensar”:

A centopeia era feliz, completamente.

Até que, de brincadeira, lhe perguntou um sapo:

“Qual é a perna que primeiro moves?”

Tanto se atrapalhou a sua mente

que não mais conseguiu andar…

Ao ver a realidade como se apresenta e não como ela é, e se especializar em aspectos desta realidade aparente, há sempre o perigo de “não se ser capaz de ver a floresta por causa das árvores”.

“Aqueles que sabem não falam. Aqueles que falam não sabem.” Lao-Tsé

“A forma não é diferente do vazio. O vazio não é diferente da forma. A forma é o vazio. O vazio é a forma.”

“O fogo não espera pelo sol para ser quente. O vento não espera pela lua para ser frio.”

“Partem as flores quando nos dói perdê-las. A erva daninha chega quando nos dói vê-la crescer.” Dogen

O Zen começa no ponto em que já nada existe para tentar alcançar, nenhum ganho a haver.

“Na paisagem primaveril não há alto nem baixo. Os ramos floridos crescem naturalmente, uns longos, outros curtos.”

“O perfeito Caminho (Tao) é sem dificuldade.

Uma diferença da espessura de um cabelo

E eis separados o Céu e a Terra!

Se queres alcançar a Verdade nua e crua

Não te preocupes com o certo e o errado.

O conflito entre os dois é a doença da mente.

Cada ação, cada acontecimento surge por si próprio:

Da superfície de um lago tranquilo salta subitamente um peixe.”

“Sentado tranquilamente, nada fazendo. A primavera chega e a erva, cresce por si própria.” poema Zenrin

“Se compreenderes, as coisas são exatamente como são. Se não compreenderes, as coisas são exatamente como são.” poema Zenrin

Fonte/Artigo:  Zen – A arte do silêncio e do vazio

Mestre Zen: Takuan Soho

“Sentindo a morte próxima, pediu aos seus discípulos: “Sepultem o meu corpo na montanha atrás do templo, cubram-no de terra e vão para casa. Não recitem sutras, não façam ritos. Não recebam presentes de monges nem de leigos. Que os monges se cubram com as mesmas vestes, comam as mesmas refeições e façam tudo como nos dias comuns.” No último instante, ele escreveu o ideograma chinês yume (“sonho”), pôs o pincel sobre a mesa e expirou.

“Se tu seguires o mundo presente darás as costas ao Caminho; se não queres dar as costas ao Caminho, não sigas o mundo.”