Um Sol Coração

Onde a vida está? Onde tu és?

Tag: zen budismo

Si mesmo. Sim esmo.

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“Estudar o Zen é estudar a si mesmo.

Estudar a si mesmo é se esquecer de si mesmo.

Esquecer de si mesmo é estar uno com todas as coisas.” Mestre Dogen

 

“Vazio Repleto… Vazio… de descrições. Repleto… de possibilidades.”

Luz do Silêncio

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o pensamento zen

é absurdamente lógico

simples assim…

como todo e nada

são : um.

 

Nada é só, só o Todo.

Perfeitamente incompleto. Incompletamente perfeito.

“Qual é esse lugar do qual não devemos escapar?”

“Qual é esse lugar do qual não devemos escapar?

Aqui e agora, não devemos escapar de nós mesmos. Eu falo sempre de “aqui e agora”, noção muito importante. Por exemplo, você sempre pensa: “Meu trabalho não está perfeito hoje, tenho de pensar no futuro, eu não sou feliz…” Você nunca está contente no momento presente; entretanto, é aqui e agora que importa. Se você não espera mais com impaciência o gongo que anuncia o fim do zazen. Se você ficar realmente concentrado, uma hora e um minuto são idênticos. A verdade é aqui e agora. Quando você está comendo, ela está na sua comida. Quando toma café, está no seu café, na sua mesa. A verdade está nas montanhas, nos rios, no céu, nos campos, nas ruas, no metrô… Em toda parte.

Eu costumo dizer que a verdade também está nos banheiros. Os banheiros são verdadeiro dojô (*). Quando você cozinha, a cozinha torna-se um dojô. O restaurante onde você come também é um dojô. Em toda parte, em qualquer lugar, a sua postura é importante, o modo como você come, o que você diz… O Caminho está em toda parte, debaixo dos seus pés.”

(*) dojô – lugar onde se pratica  meditação zen

Yoka Daishi – Shodoka – O canto do Satori imediato – tradução e comentários Mestre Taisen Deshimaru Roshi

Fonte: ZenDoBrasilia

“Quietude” – Shunryu Suzuki

“Para o estudante Zen uma erva daninha é um tesouro.”

Há um poema Zen que diz: “Depois que o vento cessa, eu vejo a flor que cai. Por causa do pássaro que canta, descubro a quietude da montanha”. Antes que algo aconteça no reino da quietude, nós não sentimos a quietude; só a percebemos quando algo a perturba. Há um ditado japonês que diz: “Para a lua, há nuvem; para a flor, vento”. Quando vemos parte da lua encoberta por uma nuvem, uma árvore ou uma planta, percebemos melhor quão redonda ela é. Quando vemos a lua clara sem nada que a encubra, não percebemos sua redondez do mesmo modo que a percebemos ao vê-la através de alguma outra coisa.
Quando em zazen, você está dentro da completa quietude de sua mente: você nada sente. Está apenas sentado. Mas a quietude que provém desse sentar irá encorajá-lo na vida cotidiana.
Assim, você achará de fato o valor do Zen no dia-a-dia, mais do que quando se senta. Porém, isto não significa que você deva negligenciar o zazen. Muito embora nada sinta quando sentado, se não tiver essa experiência do zazen, você nada encontrará em sua vida diária exceto plantas, árvores ou nuvens: você não verá a lua. Eis por que está sempre reclamando de algo. Mas, para o estudante Zen, uma erva daninha – que para a maioria das pessoas nada vale – é um tesouro. Com tal atitude, o que quer que você faça, sua vida se torna uma arte.
Quando você pratica zazen não deve procurar atingir nada.
Sente-se na completa quietude da sua mente e não busque apoio em coisa alguma. Mantenha o corpo reto sem inclinar-se ou apoiar-se em nada. Manter o corpo reto significa não contar com nada. Dessa maneira, você obterá completa quietude, física e mental. Contar com alguma coisa ou tentar fazer algo no zazen é dualismo; não é quietude total.
Na vida diária, geralmente estamos tentando fazer algo, tentando transformar uma coisa em outra ou atingir algo.
Essa tentativa é, em si mesma, expressão da nossa verdadeira natureza. O sentido reside no próprio esforço. Temos de descobrir o sentido do nosso esforço antes mesmo de atingir algo. Por essa razão, Dogen disse: “Devemos alcançar a iluminação antes de alcançá-la”. Não é depois de atingir a iluminação que descobriremos seu verdadeiro significado. A própria tentativa de fazer alguma coisa já é iluminação. Quando estamos em dificuldades ou em desgraça, aí temos iluminação. Quando afundados na lama, aí devemos conservar a serenidade. Achamos muito difícil viver na fugacidade da vida, mas é só dentro da fugacidade da vida que podemos achar a alegria da vida eterna.
Prosseguindo na prática com tal compreensão, você poderá aperfeiçoar-se. Mas, se tentar atingir algo sem essa compreensão, não conseguirá trabalhar sobre isso de forma adequada. Você perderá a si próprio na luta pelo seu objetivo; nada alcançará e continuará a sofrer em meio a suas dificuldades. Com a correta compreensão, poderá fazer algum progresso. Então, faça o que fizer, ainda que não seja perfeito, isso estará baseado na sua natureza mais íntima e, pouco a pouco, alguma coisa será alcançada.
O que é mais importante: atingir a iluminação ou atingir a iluminação antes de atingi-la? Ganhar um milhão de dólares ou desfrutar a vida aos poucos com seu próprio esforço, ainda que seja impossível ganhar aquele milhão? Ter sucesso ou encontrar algum sentido em seu esforço para ser bem-sucedido?
Se você não sabe a resposta, não será capaz de praticar zazen; se a sabe, terá encontrado o verdadeiro tesouro da vida.

Trecho do livro Mente Zen, Mente de Principiante – SHUNRYU SUZUKI